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Anne Caroline Quiangala compara a forma como heroínas brancas e negras são representadas nas histórias em quadrinhos. As primeiras são definidas por modelos de feminilidade que as apresentam como seres indefesos, submissos e que necessitam ser protegidas ou salvas pelos heróis. Já as personagens negras são representadas com base em práticas herdadas do período da escravidão que atribui força, resistência e indelicadeza às mulheres negras. Complementando essa ideia, a socióloga Patricia Hill Collins afirma que as mulheres negras e as brancas têm sido estigmatizadas nas histórias em quadrinhos.
PEDROSO, R. A. A. Martha Washington: a visão de dois homens brancos
sobre uma heroína negra. Anos 90, v. 28, 2021 (adaptado).
O texto indica que a representação das heroínas brancas e negras nas histórias em quadrinhos expressa um(a)
A concepção de natureza materna.
B lógica de família burguesa.
C modelo de conduta virtuosa.
D estereótipo de comportamento machista.
E estrutura de pensamento pragmático.
Gabarito oficial
D
Caderno de referência do INEP.
O que a questão cobra
Sociologia: reconhecer a matriz comum por trás de dois estereótipos aparentemente opostos.
Resolução passo a passo
- Coloque os dois retratos lado a lado. Heroínas brancas: “seres indefesos, submissos e que necessitam ser protegidas ou salvas pelos heróis”.
- Heroínas negras: força, resistência e indelicadeza, a partir de “práticas herdadas do período da escravidão”, quando a mulher negra era medida pela capacidade de suportar trabalho e dor.
- Note que são imagens opostas com a mesma consequência: nenhuma das duas é retratada como sujeito pleno. Uma existe para ser salva; a outra, para aguentar.
- E o texto fecha com Patricia Hill Collins: “as mulheres negras e as brancas têm sido estigmatizadas”. Padrões definidos a partir de uma visão masculina de mundo: estereótipo de comportamento machista, alternativa D.
Alternativa por alternativa
- A
concepção de natureza materna.
Errada. Maternidade não é citada em nenhum dos dois retratos. Os traços elencados são fragilidade e submissão, de um lado, força e indelicadeza, de outro.
- B
lógica de família burguesa.
Errada. A família burguesa poderia explicar o ideal de fragilidade feminina, mas não dá conta da imagem da mulher negra, que o texto liga explicitamente à escravidão.
- C
modelo de conduta virtuosa.
Errada. Não há modelo de virtude em jogo. Os dois padrões são apresentados como estigmas — imagens redutoras, e não ideais morais a seguir.
- D
estereótipo de comportamento machista.
Correta. Ser frágil à espera do herói ou ser forte a ponto de dispensar cuidado são faces do mesmo sistema: em ambas, a mulher é definida a partir do olhar masculino, e não como sujeito. Por isso o texto afirma que brancas e negras foram igualmente estigmatizadas.
- E
estrutura de pensamento pragmático.
Errada. Pragmatismo não descreve os traços apontados. O que está em questão são imagens de feminilidade historicamente construídas, não critérios de utilidade.