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Questão 71 do ENEM 2025 resolvida

Trecho de José Murilo de Carvalho: se para José Bonifácio a escravidão era o câncer que impedia a nação, hoje esse câncer é a desigualdade.

Questão 71 do ENEM 2025, aplicação regular, como saiu no caderno de prova
ENEM 2025 · aplicação regular · caderno 1 · azul · questão 71
Ler o enunciado em texto

José Bonifácio afirmou, em representação enviada à Assembleia Constituinte de 1823, que a escravidão era um câncer que corroía nossa vida cívica e impedia a construção da nação. A desigualdade é a escravidão de hoje, o novo câncer que impede a constituição de uma sociedade democrática.

CARVALHO, J. M. Cidadania no Brasil: o longo caminho.

Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2015. Ao comparar dois períodos distintos da história do Brasil, o autor entende que os fenômenos citados

A fomentam a exclusão social.
B descrevem a política partidária.
C geram a subalternidade cultural.
D desenvolvem a identidade coletiva.
E incentivam a representação eleitoral.

Gabarito oficial

A

Caderno de referência do INEP.

O que a questão cobra

Cidadania no Brasil: entender a analogia entre escravidão e desigualdade como obstáculos ao mesmo projeto.

Resolução passo a passo

  1. Isole a metáfora repetida: a escravidão era “um câncer que corroía nossa vida cívica”; a desigualdade é “o novo câncer”. A mesma doença, em dois séculos.
  2. Veja o que cada uma impede. A escravidão “impedia a construção da nação”; a desigualdade “impede a constituição de uma sociedade democrática”.
  3. Pergunte o que os dois fenômenos fazem com as pessoas: ambos deixam parte da população de fora — sem direitos, sem voz, sem participação na vida cívica.
  4. Esse é o ponto de convergência que o autor quer marcar: escravidão e desigualdade fomentam a exclusão social — alternativa A.

Alternativa por alternativa

  • A

    fomentam a exclusão social.

    Correta. Ao chamar escravidão e desigualdade de “câncer” da vida cívica, Carvalho aponta o que ambas produzem: parcelas inteiras da população alijadas de direitos e de participação. É a exclusão que impede, ontem a nação, hoje a democracia.

  • B

    descrevem a política partidária.

    Errada. Nenhum dos dois fenômenos descreve partidos ou disputa eleitoral. A comparação é sobre a base social da cidadania, não sobre o sistema partidário.

  • C

    geram a subalternidade cultural.

    Errada. Subalternidade cultural é um efeito possível, mas não é o que o texto enuncia. Ele fala de vida cívica e de construção da nação e da democracia — isto é, de cidadania.

  • D

    desenvolvem a identidade coletiva.

    Errada. É o oposto: os dois fenômenos impedem que se constitua um corpo coletivo, seja a nação no século XIX, seja a sociedade democrática hoje.

  • E

    incentivam a representação eleitoral.

    Errada. Escravidão e desigualdade afastam as pessoas da participação política. Nada no texto sugere que incentivem representação eleitoral.

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