Ler o enunciado em texto
José Bonifácio afirmou, em representação enviada à Assembleia Constituinte de 1823, que a escravidão era um câncer que corroía nossa vida cívica e impedia a construção da nação. A desigualdade é a escravidão de hoje, o novo câncer que impede a constituição de uma sociedade democrática.
CARVALHO, J. M. Cidadania no Brasil: o longo caminho.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2015. Ao comparar dois períodos distintos da história do Brasil, o autor entende que os fenômenos citados
A fomentam a exclusão social.
B descrevem a política partidária.
C geram a subalternidade cultural.
D desenvolvem a identidade coletiva.
E incentivam a representação eleitoral.
Gabarito oficial
A
Caderno de referência do INEP.
O que a questão cobra
Cidadania no Brasil: entender a analogia entre escravidão e desigualdade como obstáculos ao mesmo projeto.
Resolução passo a passo
- Isole a metáfora repetida: a escravidão era “um câncer que corroía nossa vida cívica”; a desigualdade é “o novo câncer”. A mesma doença, em dois séculos.
- Veja o que cada uma impede. A escravidão “impedia a construção da nação”; a desigualdade “impede a constituição de uma sociedade democrática”.
- Pergunte o que os dois fenômenos fazem com as pessoas: ambos deixam parte da população de fora — sem direitos, sem voz, sem participação na vida cívica.
- Esse é o ponto de convergência que o autor quer marcar: escravidão e desigualdade fomentam a exclusão social — alternativa A.
Alternativa por alternativa
- A
fomentam a exclusão social.
Correta. Ao chamar escravidão e desigualdade de “câncer” da vida cívica, Carvalho aponta o que ambas produzem: parcelas inteiras da população alijadas de direitos e de participação. É a exclusão que impede, ontem a nação, hoje a democracia.
- B
descrevem a política partidária.
Errada. Nenhum dos dois fenômenos descreve partidos ou disputa eleitoral. A comparação é sobre a base social da cidadania, não sobre o sistema partidário.
- C
geram a subalternidade cultural.
Errada. Subalternidade cultural é um efeito possível, mas não é o que o texto enuncia. Ele fala de vida cívica e de construção da nação e da democracia — isto é, de cidadania.
- D
desenvolvem a identidade coletiva.
Errada. É o oposto: os dois fenômenos impedem que se constitua um corpo coletivo, seja a nação no século XIX, seja a sociedade democrática hoje.
- E
incentivam a representação eleitoral.
Errada. Escravidão e desigualdade afastam as pessoas da participação política. Nada no texto sugere que incentivem representação eleitoral.