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Ciências Humanas e suas Tecnologias

Questão 64 do ENEM 2025 resolvida

Texto de 1978 sobre o xisto betuminoso: o Brasil tem uma das maiores reservas mundiais, mas produz muito pouco a partir dela.

Questão 64 do ENEM 2025, aplicação regular, como saiu no caderno de prova
ENEM 2025 · aplicação regular · caderno 1 · azul · questão 64
Ler o enunciado em texto

A designação de xisto betuminoso é dada, vulgarmente, a certas rochas sedimentares que contêm, disseminado pela sua parte mineral, um composto orgânico de composição bastante variável que, sob a ação do calor, se decompõe em gás e óleo, ambos ricos em hidrocarbonetos encontrados no petróleo natural, permanecendo na rocha um resíduo carbonoso. O óleo contido no xisto betuminoso, após retirada e refino, pode gerar gasolina, gás combustível, enxofre, entre outros. Mesmo possuindo uma das maiores reservas mundiais de xisto betuminoso, a produção de derivados de petróleo produzidos por meio de sua exploração, no Brasil, ainda é muito pequena.

MESQUITA, H. C. Xisto betuminoso. Revista de Administração Pública,

n. 4, out.-dez. 1978 (adaptado).

As limitações para a utilização do recurso mineral citado no texto derivavam da combinação entre os seguintes fatores:

A Jazidas profundas e qualidade duvidosa.
B Tecnologia arcaica e demanda reduzida.
C Custos elevados e extração poluidora.
D Quantidade escassa e mercado monopolizado.
E Transporte oneroso e armazenamento complexo.

Gabarito oficial

C

Caderno de referência do INEP.

O que a questão cobra

Recursos energéticos: entender por que uma reserva abundante permanece pouco explorada.

Resolução passo a passo

  1. Note o paradoxo do texto: o Brasil possui “uma das maiores reservas mundiais” e, ainda assim, a produção “é muito pequena”. Falta de recurso não explica nada aqui.
  2. Volte ao processo descrito: o composto orgânico só vira gás e óleo “sob a ação do calor”. É preciso minerar a rocha, triturá-la e aquecê-la a centenas de graus antes de obter qualquer combustível.
  3. Some o que sobra depois: “permanecendo na rocha um resíduo carbonoso” — além de enxofre entre os derivados. Ou seja, muito rejeito e emissões a tratar.
  4. Processo caro em energia e equipamento, mais passivo ambiental pesado: a combinação de custo elevado e extração poluidora — alternativa C.

Alternativa por alternativa

  • A

    Jazidas profundas e qualidade duvidosa.

    Errada. A qualidade do produto não é posta em dúvida: o texto diz que gás e óleo são “ricos em hidrocarbonetos” e geram gasolina, gás combustível e enxofre. E o xisto brasileiro é explorado a céu aberto, não em jazidas profundas.

  • B

    Tecnologia arcaica e demanda reduzida.

    Errada. A demanda por derivados de petróleo era altíssima em 1978, em plena crise do petróleo — foi justamente o que motivou o interesse pelo xisto. E a tecnologia de pirólise existia e era conhecida.

  • C

    Custos elevados e extração poluidora.

    Correta. Extrair óleo do xisto exige minerar grandes volumes de rocha e aquecê-la, o que consome muita energia e encarece cada barril. Além disso, o processo deixa resíduo carbonoso e libera enxofre. Custo alto somado a forte impacto ambiental é o que manteve a produção pequena.

  • D

    Quantidade escassa e mercado monopolizado.

    Errada. O texto afirma o contrário quanto ao volume: o Brasil tem uma das maiores reservas mundiais. E o monopólio estatal do petróleo não impedia a exploração — a própria Petrobras conduzia o programa do xisto.

  • E

    Transporte oneroso e armazenamento complexo.

    Errada. O produto final é óleo e gás, transportados e armazenados pela mesma infraestrutura do petróleo convencional. O gargalo está antes disso, na obtenção do óleo a partir da rocha.

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