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Violência contra a mulher
Crime que se confunde com paixão
Chamar de “passional” a violência física contra as mulheres impetrada por homens com os quais elas se relacionavam, por exemplo, já ajudou a aceitar agressões por décadas. Segundo o documento Panorama da Violência contra as Mulheres no Brasil, publicado em 2018 pelo Senado Federal, até a década de 1970, esse tipo de ofensiva era considerado aceitável pela população, na medida em que fazia parte apenas da esfera privada. É a expressão do dito popular que reitera que “em briga de marido e mulher, não se mete a colher”. “Ah, mas se mete sim” — começaram a dizer os movimentos feministas que ganharam força naquele período. Essas vozes foram ainda por muito tempo ignoradas pelo Estado, que, assim, permitiu a vitimização de muitas mulheres.
Disponível em: www.almg.gov.br. Acesso em: 2 out. 2019 (adaptado).
De acordo com o texto, qual posicionamento foi contestado pelos movimentos sociais mencionados?
A Idealização das tarefas diárias no espaço doméstico.
B Naturalização da intimidade familiar no modelo patriarcal.
C Divulgação dos assuntos particulares no ambiente coletivo.
D Valorização dos sentimentos amorosos na vida matrimonial.
E Promoção da igualdade política nas esferas governamentais.
Gabarito oficial
B
Caderno de referência do INEP.
O que a questão cobra
Movimentos sociais: identificar o entendimento que o feminismo dos anos 1970 passou a contestar.
Resolução passo a passo
- Localize a crença que vigorava: até os anos 1970, a agressão “era considerada aceitável pela população, na medida em que fazia parte apenas da esfera privada”.
- Veja como o senso comum a formulava: “em briga de marido e mulher, não se mete a colher”. O que acontece dentro de casa é assunto do casal — ninguém intervém.
- Agora a resposta dos movimentos: “Ah, mas se mete sim”. Eles negam exatamente a fronteira que protegia o agressor: a intimidade familiar como território intocável.
- Essa fronteira é uma herança do patriarcado, em que o homem manda em casa e o Estado não entra. Era esse posicionamento — a naturalização da intimidade familiar — que estava sendo contestado. Alternativa B.
Alternativa por alternativa
- A
Idealização das tarefas diárias no espaço doméstico.
Errada. A divisão do trabalho doméstico é outra pauta feminista importante, mas não é a discutida aqui. O texto trata especificamente de violência física e da não intervenção do Estado.
- B
Naturalização da intimidade familiar no modelo patriarcal.
Correta. O que os movimentos feministas atacaram foi a ideia, própria do patriarcado, de que o lar é um espaço intocável — resumida no ditado da colher. Ao responder “se mete sim”, eles negaram que a violência doméstica fosse assunto privado e exigiram a intervenção do Estado.
- C
Divulgação dos assuntos particulares no ambiente coletivo.
Errada. Tornar pública a violência é a consequência da luta, não o alvo dela. O posicionamento contestado era o inverso: o de que nada disso deveria sair de casa.
- D
Valorização dos sentimentos amorosos na vida matrimonial.
Errada. Não é o sentimento amoroso que está em causa, e sim o uso da palavra “passional” para justificar a agressão. O que se contesta é a desculpa, não o amor.
- E
Promoção da igualdade política nas esferas governamentais.
Errada. A igualdade política é outra frente do feminismo. Neste texto, a disputa é sobre o limite entre público e privado na violência doméstica.