Ler o enunciado em texto
Por “brecha” não entendemos, de forma alguma, um elemento que pusesse em perigo, mudasse drasticamente ou diminuísse o sistema escravista. A analogia com uma brecha na muralha de uma fortaleza assediada seria algo totalmente equivocado. O que queremos descrever é uma brecha para o escravizado, como se diria hoje, “um espaço”, situado sem dúvida dentro do sistema, mas abrindo possibilidades inéditas para atividades autônomas dos cativos.
CARDOSO, C. F. S. Escravo ou camponês? O protocampesinato negro nas
Américas. São Paulo: Brasiliense, 1987 (adaptado).
No Brasil colonial, a “brecha” abordada no texto representou uma flexibilização, ao possibilitar ao escravizado
A conquistar direitos civis.
B obter ganhos econômicos.
C garantir o acesso à educação.
D expressar a liberdade religiosa.
E constituir associações profissionais.
Gabarito oficial
B
Caderno de referência do INEP.
O que a questão cobra
Brasil colonial: compreender o que era a brecha camponesa e o que ela permitia ao escravizado.
Resolução passo a passo
- Comece pelo que o autor nega: a brecha não “punha em perigo, mudava drasticamente ou diminuía o sistema escravista”. Não era rachadura na muralha.
- Agora o que ele afirma: é “um espaço, situado sem dúvida dentro do sistema”, que abre “possibilidades inéditas para atividades autônomas dos cativos”.
- Recorde o conteúdo histórico desse conceito — o subtítulo do livro é “o protocampesinato negro nas Américas”: os senhores cediam pequenas roças e o tempo de domingos e feriados para o cativo plantar.
- O excedente dessa roça era vendido em feiras locais, e a moeda acumulada podia até comprar a alforria. A brecha permitia, portanto, ganhos econômicos — alternativa B.
Alternativa por alternativa
- A
conquistar direitos civis.
Errada. Direitos civis são garantias asseguradas por lei e exigíveis. A brecha é uma concessão do senhor, revogável a qualquer momento, dentro de um sistema que negava ao cativo a condição de sujeito de direito.
- B
obter ganhos econômicos.
Correta. A brecha camponesa era a roça própria e o tempo cedido para cultivá-la. O excedente podia ser vendido nas feiras, e o dinheiro acumulado chegava a financiar a compra da alforria. Autonomia econômica dentro do sistema — sem que o sistema fosse ameaçado.
- C
garantir o acesso à educação.
Errada. Não havia acesso à instrução formal para pessoas escravizadas. O texto fala em atividades autônomas, e o livro trata de produção agrícola e comércio.
- D
expressar a liberdade religiosa.
Errada. A permanência de práticas religiosas de matriz africana é outro fenômeno, ligado ao sincretismo e às irmandades. A “brecha camponesa” de Cardoso é conceito de história econômica.
- E
constituir associações profissionais.
Errada. Associações profissionais pressupõem trabalhadores livres, contrato e organização coletiva reconhecida — tudo incompatível com a condição de escravizado no período colonial.