Ler o enunciado em texto
Em 1968, apesar da ditadura cada vez mais sufocante, em especial com o Ato Institucional número 5, que abriu caminho para um regime de exceção que não tinha nenhum pudor em agir ao arrepio da ordem legal para perseguir, prender, cassar, exilar e “desaparecer” opositores de todos os matizes políticos, alguns movimentos ainda eram possíveis — como o Movimento Intersindical Antiarrocho (MIA), uma frente contra as políticas econômicas que impunham perdas salariais aos trabalhadores, a qual reunia sindicalistas de todos os matizes, moderados, comunistas e mesmo “pelegos” (em geral identificados com o governo). No entanto, para que o modelo de desenvolvimento dependente e excludente proposto pelos governos militares, elaborado em conjunto com as elites, funcionasse a contento, era imprescindível que esses movimentos estivessem em silêncio — especialmente o movimento sindical.
Disponível em: http://querepublicaeessa.an.gov.br.
Acesso em: 8 out. 2023 (adaptado).
A ação do movimento mencionado tinha como propósito criticar a
A expansão do consumo interno.
B diminuição da população urbana.
C desigualdade na estrutura social.
D estagnação na produção nacional.
E dependência da atividade primária.
Gabarito oficial
C
Caderno de referência do INEP.
O que a questão cobra
Ditadura militar: relacionar o arrocho salarial ao modelo de desenvolvimento excludente.
Resolução passo a passo
- Comece pelo nome do movimento, que já entrega a pauta: Antiarrocho. “Arrocho” é o aperto salarial, e o texto confirma: uma frente “contra as políticas econômicas que impunham perdas salariais aos trabalhadores”.
- Agora veja a que serviam essas perdas: ao “modelo de desenvolvimento dependente e excludente proposto pelos governos militares, elaborado em conjunto com as elites”.
- Leia o adjetivo com atenção: excludente significa que o crescimento se concentrava em cima. Os trabalhadores perdiam salário para que esse modelo “funcionasse a contento”.
- Criticar o arrocho, portanto, era criticar a desigualdade da estrutura social que o modelo produzia — alternativa C.
Alternativa por alternativa
- A
expansão do consumo interno.
Errada. O arrocho salarial reduz o poder de compra dos trabalhadores. O MIA lutava contra a compressão dos salários, e não contra a expansão do consumo.
- B
diminuição da população urbana.
Errada. O período foi de forte êxodo rural e crescimento das cidades. O texto nada diz sobre população urbana, e o movimento era justamente sindical urbano.
- C
desigualdade na estrutura social.
Correta. O MIA se opunha ao arrocho salarial, peça central de um modelo que o texto define como “dependente e excludente”, elaborado com as elites. Combater a perda salarial imposta aos trabalhadores era denunciar a concentração de renda que sustentava esse modelo.
- D
estagnação na produção nacional.
Errada. Não havia estagnação: 1968 marca o início do chamado “milagre econômico”, com altas taxas de crescimento. O problema apontado é a distribuição desse crescimento.
- E
dependência da atividade primária.
Errada. O texto não trata de agricultura ou mineração. A pauta do movimento era salarial, e os sindicalistas citados eram do setor urbano-industrial.