Ler o enunciado em texto
A fome convive hoje com as condições materiais para resolvê-la. Vejamos um pouco mais de perto: a evolução recente da expansão do padrão agrário/agrícola vai nos esclarecer parte do mistério em que, mesmo com queda de preços, cresce a área plantada, aprofundando as contradições entre produção de alimentos e aumento da fome no mundo. A produção de alimentos vem sendo cada vez mais concentrada nas mãos de menos produtores. Acredita-se que se trata de um problema técnico ou de distribuição, seja de renda ou dos próprios alimentos.
PORTO-GONÇALVES, C. W. Geografia da riqueza, fome e meio ambiente:
pequena contribuição crítica ao atual modelo agrário/agrícola de uso
dos recursos naturais. Revista INTERthesis, n. 1, 2004 (adaptado).
O paradoxo apresentado no texto é resultante da
A degradação das áreas de cultivo.
B modificação dos hábitos de consumo.
C estagnação dos níveis de produtividade.
D desorganização dos sistemas de repartição.
E valorização dos modelos de agroecologia.
Gabarito oficial
D
Caderno de referência do INEP.
O que a questão cobra
Geografia agrária: identificar a causa do descompasso entre produção abundante de alimentos e fome.
Resolução passo a passo
- Enuncie o paradoxo com as palavras do texto: existem “as condições materiais para resolvê-la”, a área plantada cresce mesmo com queda de preços — e a fome aumenta.
- Descarte a hipótese da escassez: se há condições materiais e área crescente, falta de comida não é o problema. Logo, a causa está no caminho entre a produção e a mesa.
- O texto aponta onde: “A produção de alimentos vem sendo cada vez mais concentrada nas mãos de menos produtores”. Poucos decidem o que se planta, para onde vai e a que preço.
- Concentração na produção e no comando da cadeia = falha na repartição do alimento e da renda que ele gera — alternativa D.
Alternativa por alternativa
- A
degradação das áreas de cultivo.
Errada. A área plantada está crescendo, segundo o próprio texto. Degradação reduziria a oferta, o que contraria o paradoxo apresentado.
- B
modificação dos hábitos de consumo.
Errada. Mudança de hábitos alimentares não é citada. E ela explicaria alteração no tipo de alimento consumido, não a coexistência de abundância e fome.
- C
estagnação dos níveis de produtividade.
Errada. Não há estagnação: a queda de preços com área crescente indica justamente produtividade alta e oferta farta. O problema não é produzir.
- D
desorganização dos sistemas de repartição.
Correta. O texto mostra alimento abundante e barato convivendo com fome crescente, e localiza a causa na concentração da produção em poucas mãos. Quando quem produz e distribui é um grupo restrito, o alimento não chega a quem precisa: o gargalo é a repartição, não a produção.
- E
valorização dos modelos de agroecologia.
Errada. A agroecologia é uma alternativa ao modelo criticado, e o texto não registra sua valorização. Além disso, ela tenderia a reduzir a concentração, não a agravar o paradoxo.