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A sociedade civil organizada do novo milênio tende a ser uma sociedade de redes organizacionais, de redes interorganizacionais e de redes de movimentos e de formação de parcerias entre as esferas públicas, privadas e estatais, criando novos espaços de governança com o crescimento da participação cidadã. As redes de movimentos sociais possibilitam, nesse contexto, a transposição de fronteiras territoriais, articulando as ações locais às regionais, nacionais e transnacionais; temporais, lutando pela indivisibilidade de direitos humanos de diversas gerações históricas de suas respectivas plataformas; sociais em seu sentido amplo, compreendendo o pluralismo de concepções de mundo dentro de determinados limites éticos, o respeito às diferenças e a radicalização da democracia através do aprofundamento da autonomia relativa da sociedade civil organizada.
SCHERER-WARREN, I. Das mobilizações às redes de movimentos sociais.
Sociedade e Estado, n. 1, jan.-abr. 2006. De acordo com o texto, as novas formas de organização da sociedade civil objetivam a
A fragmentação das conquistas políticas.
B demarcação das fronteiras territoriais.
C afirmação das homogeneidades étnicas.
D integração das desigualdades culturais.
E articulação das demandas coletivas.
Gabarito oficial
E
Caderno de referência do INEP.
O que a questão cobra
Movimentos sociais: identificar o objetivo das formas contemporâneas de organização em rede.
Resolução passo a passo
- Fixe a palavra-chave, repetida do começo ao fim: redes — “redes organizacionais”, “interorganizacionais”, “de movimentos”, “parcerias” entre esferas pública, privada e estatal.
- Veja o que essas redes fazem, segundo o texto: possibilitam “a transposição de fronteiras territoriais, articulando as ações locais às regionais, nacionais e transnacionais”.
- E não é só no espaço. Elas atravessam também o tempo — “lutando pela indivisibilidade de direitos humanos de diversas gerações históricas” — e a diversidade social, com “pluralismo de concepções de mundo” e “respeito às diferenças”.
- Conectar pautas dispersas em escalas, tempos e visões de mundo distintas é articular demandas coletivas — alternativa E.
Alternativa por alternativa
- A
fragmentação das conquistas políticas.
Errada. O texto defende exatamente a indivisibilidade dos direitos de diferentes gerações históricas. Rede é o oposto de fragmentação: é ligação.
- B
demarcação das fronteiras territoriais.
Errada. As fronteiras territoriais aparecem para serem transpostas, ligando o local ao transnacional. Não há demarcação alguma em jogo.
- C
afirmação das homogeneidades étnicas.
Errada. O texto valoriza o “pluralismo de concepções de mundo” e o “respeito às diferenças”. Homogeneidade étnica contraria diretamente esse princípio.
- D
integração das desigualdades culturais.
Errada. A diversidade cultural é tratada como riqueza a ser respeitada, não como desigualdade a ser corrigida por integração. O termo troca pluralidade por assimilação.
- E
articulação das demandas coletivas.
Correta. As redes descritas conectam ações locais, regionais, nacionais e transnacionais, reúnem direitos de gerações históricas distintas e acolhem visões de mundo plurais. O objetivo dessa arquitetura é justamente articular demandas coletivas dispersas, ampliando a participação cidadã.