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Concurso de Bolsas

Ciências Humanas e suas Tecnologias

Questão 52 do ENEM 2025 resolvida

Trecho de Vigiar e punir, de Michel Foucault: mesmo com métodos “suaves”, é sempre do corpo que se trata — de sua utilidade, docilidade, repartição e submissão.

Questão 52 do ENEM 2025, aplicação regular, como saiu no caderno de prova
ENEM 2025 · aplicação regular · caderno 1 · azul · questão 52
Ler o enunciado em texto

Ainda que instituições não recorram a castigos violentos ou sangrentos, mesmo quando utilizam métodos “suaves” de trancar ou corrigir, é sempre do corpo que se trata — do corpo e suas forças, da utilidade e docilidade deles, de sua repartição e de sua submissão.

FOUCAULT, M. Vigiar e punir. Petrópolis: Vozes, 1995 (adaptado).

A forma de exercício de poder indicada no texto é caracterizada como:

A Ideológica, associada à dominação da consciência.
B Midiática, apoiada na manipulação afetivo-sentimental.
C Disciplinar, fundamentada na diluição espaço-temporal.
D Autoritária, conduzida pela imposição coercitiva.
E Carismática, motivada pela fascinação pessoal.

Gabarito oficial

C

Caderno de referência do INEP.

O que a questão cobra

Sociologia do poder: reconhecer o poder disciplinar foucaultiano e o modo como ele age.

Resolução passo a passo

  1. Repare na concessão que abre o trecho: “ainda que instituições não recorram a castigos violentos ou sangrentos”. Foucault está separando o poder de que fala da violência aberta.
  2. Veja o alvo: “é sempre do corpo que se trata”. Não da consciência, não da crença — do corpo e de suas forças.
  3. E veja como o poder age sobre ele: tornando-o útil e dócil, por meio de sua “repartição” e de sua “submissão”. Repartir é distribuir corpos em lugares e horários — a escola, a fábrica, o quartel, a prisão.
  4. Esse é exatamente o conceito de poder disciplinar: ele não bate, ele organiza espaço e tempo até que o corpo se comporte sozinho — alternativa C.

Alternativa por alternativa

  • A

    Ideológica, associada à dominação da consciência.

    Errada. A dominação ideológica atua sobre a consciência, produzindo crenças. Foucault marca o contrário: “é sempre do corpo que se trata”. É nisso que sua análise se distingue da tradição da ideologia.

  • B

    Midiática, apoiada na manipulação afetivo-sentimental.

    Errada. Não há mídia nem apelo afetivo no trecho. As instituições citadas — as que trancam e corrigem — agem por rotina, horário e lugar, não por sedução emocional.

  • C

    Disciplinar, fundamentada na diluição espaço-temporal.

    Correta. Foucault descreve o poder disciplinar: ele dispensa o castigo sangrento e age sobre o corpo, tornando-o útil e dócil pela sua repartição e submissão. É exatamente a organização do corpo no espaço e no tempo — nos horários, nas filas, nas celas, nas carteiras — que produz a obediência.

  • D

    Autoritária, conduzida pela imposição coercitiva.

    Errada. O trecho começa justamente afastando a coerção violenta: fala de métodos “suaves”, sem castigos sangrentos. O que Foucault descreve é mais sutil e mais permanente do que a imposição autoritária.

  • E

    Carismática, motivada pela fascinação pessoal.

    Errada. O carisma, na tipologia de Max Weber, depende de uma figura pessoal extraordinária. No texto não há líder algum: há instituições e procedimentos impessoais.

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