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TEXTO I
Zabé da Loca tinha a leveza do sopro e a força do vento. Nasceu Isabel Marques da Silva, em 1925. As adversidades da vida, a pobreza e a miséria a obrigaram a viver por mais de 20 anos numa gruta, numa loca, como é dito em sua terra, a Paraíba. Virou Zabé da Loca, para abreviar. Não era muito de conversa, mas dava seu recado nas notas fortes de um pífano, instrumento tipicamente nordestino que a acompanhava desde os 6 anos de idade. Gravou disco, ganhou prêmios e até uma casa na cidade onde viveu, Monteiro, a 300 quilômetros da capital, João Pessoa. Incansável, criou em sua cidade um projeto no qual ensinou 80 crianças do sertão paraibano a espalharem melodias com a pequena flauta.
CORREIA FILHO, J. Sopro de resistência. Página 22, n. 50, mar. 2011. São Paulo: FGV (adaptado).
TEXTO II
Foto: Reprodução/TV Globo/Arquivo
Disponível em: www.g1.globo.com. Acesso em: 30 out. 2025 (adaptado).
Zabé da Loca tornou-se uma referência artística e educacional para a cultura brasileira, o que é evidenciado pela
A transferência de conhecimento musical autodidata para o ensino de instrumento de sopro.
B valorização dos saberes formais na arte de tocar pífano na produção musical da artista.
C salvaguarda do repertório da música formal por meio de um instrumento de sopro.
D sistematização de uma proposta educacional de ensino de instrumento musical.
E visibilidade alcançada ao se mudar para a cidade de Monteiro, na Paraíba.
Gabarito oficial
A
Caderno de referência do INEP.
O que a questão cobra
Relação entre textos: identificar o que, nos dois, sustenta a afirmação de que ela é referência artística e educacional.
Resolução passo a passo
- Note que o comando cobra duas dimensões: artística e educacional. A resposta precisa dar conta das duas.
- A dimensão artística está na trajetória: o pífano “a acompanhava desde os 6 anos”, ela “gravou disco, ganhou prêmios” — e a foto a mostra tocando. Um saber construído na prática, sem escola: autodidata.
- A dimensão educacional está no fecho: “criou em sua cidade um projeto no qual ensinou 80 crianças do sertão paraibano a espalharem melodias com a pequena flauta”.
- Junte as duas: ela passou adiante um conhecimento que adquiriu por conta própria — alternativa A.
Alternativa por alternativa
- A
transferência de conhecimento musical autodidata para o ensino de instrumento de sopro.
Correta. Zabé aprendeu o pífano na prática, desde os 6 anos e vivendo na loca, sem formação musical formal — e transformou esse saber em ensino ao formar 80 crianças do sertão. A transferência do conhecimento autodidata é justamente o que a torna referência artística e educacional.
- B
valorização dos saberes formais na arte de tocar pífano na produção musical da artista.
Errada. O texto não menciona nenhum saber formal na formação dela. Toda a trajetória descrita — a gruta, a pobreza, o pífano desde a infância — aponta para aprendizado informal.
- C
salvaguarda do repertório da música formal por meio de um instrumento de sopro.
Errada. O repertório de Zabé é da cultura popular nordestina, não da música formal (erudita). O pífano é apresentado como “instrumento tipicamente nordestino”.
- D
sistematização de uma proposta educacional de ensino de instrumento musical.
Errada. “Sistematização” pressupõe método, currículo, estrutura pedagógica — nada disso é descrito. O texto informa que ela criou um projeto e ensinou crianças, sem detalhar qualquer sistematização.
- E
visibilidade alcançada ao se mudar para a cidade de Monteiro, na Paraíba.
Errada. Monteiro é apenas a cidade onde ela viveu e onde ganhou uma casa. A visibilidade veio do disco, dos prêmios e do trabalho com o pífano — não da mudança de endereço.