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Ciências Humanas e suas Tecnologias

Questão 73 do ENEM 2025 resolvida

Texto de Ronald Raminelli sobre o canibalismo entre os tupis e o modo como os europeus o interpretavam.

Questão 73 do ENEM 2025, aplicação regular, como saiu no caderno de prova
ENEM 2025 · aplicação regular · caderno 1 · azul · questão 73
Ler o enunciado em texto

Entre esses preconceitos estava o canibalismo. A prática não era, porém, uma mentira, uma invenção europeia, mas um ritual controlado por regras. Entre os tupis, por exemplo, os guerreiros se sentiam honrados quando morriam em um banquete canibal. Para os europeus, no entanto, comer carne humana era abominável, pois nem mesmo os leões ingeriam seus semelhantes. Portanto, para os conquistadores, o canibalismo era sinônimo de barbarismo e da incapacidade de se autogovernar.

RAMINELLI, R. Canibalismo para alemão ver. In: FIGUEIREDO, L. (Org.).

História do Brasil para ocupados. Rio de Janeiro:

Casa da Palavra, 2013 (adaptado).

No texto, europeus e ameríndios atribuíram à prática relatada, respectivamente, o significado de

A selvageria — empoderamento.
B impetuosidade — resistência.
C fanatismo — humilhação.
D intolerância — violência.
E repressão — justiça.

Gabarito oficial

A

Caderno de referência do INEP.

O que a questão cobra

História do Brasil colonial: comparar os significados atribuídos por duas culturas a uma mesma prática, respeitando a ordem pedida (“respectivamente”).

Resolução passo a passo

  1. O comando pede primeiro o olhar europeu. O texto é explícito: “para os europeus… comer carne humana era abominável”, e “para os conquistadores, o canibalismo era sinônimo de barbarismo e da incapacidade de se autogovernar”.
  2. Barbárie e incapacidade de autogoverno somam-se em um único juízo: aquela gente é selvagem — e, portanto, precisa ser tutelada. É a justificativa da conquista.
  3. Agora o olhar ameríndio. O texto informa que a prática “não era uma mentira, uma invenção europeia, mas um ritual controlado por regras”.
  4. E dá o sentido interno: “entre os tupis, os guerreiros se sentiam honrados quando morriam em um banquete canibal”. Morrer assim engrandecia o guerreiro. Selvageria, para os europeus; empoderamento, para os tupis — alternativa A.

Alternativa por alternativa

  • A

    selvageria — empoderamento.

    Correta. Os conquistadores liam a prática como barbarismo e prova de que os indígenas não sabiam se governar; os tupis a viviam como ritual regrado, em que o guerreiro morto se sentia honrado.

  • B

    impetuosidade — resistência.

    Errada. Impetuosidade sugere ímpeto descontrolado, e o texto frisa que se tratava de “um ritual controlado por regras”. Resistência também não cabe: o banquete é anterior ao contato, não uma reação a ele.

  • C

    fanatismo — humilhação.

    Errada. Fanatismo não corresponde ao juízo europeu, que era de barbárie e incapacidade política. E humilhação inverte o sentido indígena: os guerreiros se sentiam honrados, não rebaixados.

  • D

    intolerância — violência.

    Errada. Intolerância descreve a atitude dos europeus, e não o significado que eles atribuíam à prática. Violência, por sua vez, não é o sentido tupi: o texto fala em honra e em regra.

  • E

    repressão — justiça.

    Errada. Repressão e justiça não aparecem em nenhum dos dois lados. Nem os europeus liam o canibalismo como repressão, nem os tupis o praticavam como ato de fazer justiça.

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