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Questão 54 do ENEM 2025 resolvida

Texto crítico sobre a ideia de “êxodo urbano”, que segundo o autor descreve apenas uma pequena fração da elite.

Questão 54 do ENEM 2025, aplicação regular, como saiu no caderno de prova
ENEM 2025 · aplicação regular · caderno 1 · azul · questão 54
Ler o enunciado em texto

A ideia de êxodo urbano assume ares caricaturais. Pega a mais reduzida parte da pirâmide social e projeta para todos seus desejos defensivos. Se o êxodo urbano for compreendido como aquisição de uma segunda residência, então não estamos, de fato, falando de êxodo, mas da reversão de um excedente de renda de uma pequena fração da elite para as franjas metropolitanas. Se o êxodo urbano for compreendido como retorno aos municípios menos povoados, então não estamos, de fato, falando de êxodo urbano, mas de um movimento de migração de pessoas cuja estabilidade no emprego e a elevada renda lhes permitem simular, nas ilhas urbanas do interior agropecuário, a vida urbana metropolitana.

ARRAIS, T. A. O distópico êxodo urbano. Revista e, n. 11, maio 2021 (adaptado).

A valorização de tradições rurais.
B redução de plantações agrícolas.
C estagnação de atividades comerciais.
D precariedade de infraestruturas rodoviárias.
E seletividade de deslocamentos populacionais.

Gabarito oficial

E

Caderno de referência do INEP.

O que a questão cobra

Geografia da população: avaliar criticamente um conceito de migração a partir de quem efetivamente se desloca.

Resolução passo a passo

  1. O autor abre desqualificando o conceito: a ideia de êxodo urbano “assume ares caricaturais” porque “pega a mais reduzida parte da pirâmide social e projeta para todos seus desejos defensivos”.
  2. Depois examina as duas leituras possíveis. Se êxodo for segunda residência, trata-se da “reversão de um excedente de renda de uma pequena fração da elite para as franjas metropolitanas”.
  3. Se for retorno a municípios menos povoados, trata-se de pessoas “cuja estabilidade no emprego e a elevada renda lhes permitem simular… a vida urbana metropolitana”.
  4. Nos dois casos, quem se muda é quem tem renda para escolher. O deslocamento não é geral: ele é seletivo — alternativa E.

Alternativa por alternativa

  • A

    valorização de tradições rurais.

    Errada. O texto afirma o contrário: quem migra vai “simular, nas ilhas urbanas do interior agropecuário, a vida urbana metropolitana”. Não há adesão ao modo de vida rural, e sim sua reprodução em outro cenário.

  • B

    redução de plantações agrícolas.

    Errada. A produção agrícola não é discutida. O “interior agropecuário” aparece apenas como o lugar para onde essas pessoas se deslocam, e nada se diz sobre plantações.

  • C

    estagnação de atividades comerciais.

    Errada. Atividades comerciais não entram no texto, nem nas metrópoles nem no interior. A crítica é sobre quem se muda, não sobre a economia dos lugares.

  • D

    precariedade de infraestruturas rodoviárias.

    Errada. Infraestrutura rodoviária não é mencionada. O argumento do autor é social — renda e estabilidade —, não de transporte ou acesso.

  • E

    seletividade de deslocamentos populacionais.

    Correta. Nas duas hipóteses analisadas, o deslocamento depende de excedente de renda ou de emprego estável. Só se muda quem pode — e é isso que torna o “êxodo” um movimento seletivo, não geral.

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