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Ciências Humanas e suas Tecnologias

Questão 55 do ENEM 2025 resolvida

Trecho de Vigiar e punir, de Michel Foucault, sobre a formação da disciplina como “nova anatomia política”.

Questão 55 do ENEM 2025, aplicação regular, como saiu no caderno de prova
ENEM 2025 · aplicação regular · caderno 1 · azul · questão 55
Ler o enunciado em texto

A “invenção” dessa nova anatomia política não deve ser entendida como uma descoberta súbita. Mas como uma multiplicidade de processos muitas vezes mínimos, de origens diferentes, de localizações esparsas, que se recordam, que se repetem, ou se imitam, apoiam-se uns sobre os outros e esboçam aos poucos a fachada de um método geral. Encontramo-los em funcionamento nos colégios, muito cedo; mais tarde, nas escolas primárias, no espaço hospitalar e na organização militar.

FOUCAULT, M. Vigiar e punir. Petrópolis: Vozes, 2011. O texto indica o seguinte aspecto da disciplina como ferramenta política:

A Expansão das técnicas de suplício.
B Judicialização das relações de poder.
C Dissolução das distinções de nobreza.
D Capilarização das práticas de controle.
E Espetacularização das medidas de penitência.

Gabarito oficial

D

Caderno de referência do INEP.

O que a questão cobra

Filosofia contemporânea: entender como Foucault descreve o funcionamento do poder disciplinar — não onde ele nasce, mas de que modo se espalha.

Resolução passo a passo

  1. Foucault começa negando a origem única: a invenção “não deve ser entendida como uma descoberta súbita”. Não houve um inventor nem um decreto.
  2. Ele descreve então o processo: “uma multiplicidade de processos muitas vezes mínimos, de origens diferentes, de localizações esparsas”. Pequenos, numerosos e dispersos.
  3. Esses processos “se recordam, se repetem, ou se imitam, apoiam-se uns sobre os outros e esboçam aos poucos a fachada de um método geral”. O conjunto só depois vira sistema.
  4. E ele lista onde isso funciona: “nos colégios… nas escolas primárias, no espaço hospitalar e na organização militar”. O poder se ramifica por instituições do dia a dia — é a capilarização das práticas de controle, alternativa D.

Alternativa por alternativa

  • A

    Expansão das técnicas de suplício.

    Errada. O suplício é, em Foucault, exatamente o que a disciplina substitui: a punição espetacular sobre o corpo dá lugar à vigilância contínua. O trecho não menciona técnicas de suplício.

  • B

    Judicialização das relações de poder.

    Errada. Judicializar seria levar as relações de poder aos tribunais. O texto faz o oposto: mostra o poder operando em colégios, escolas, hospitais e quartéis — fora do aparato judicial.

  • C

    Dissolução das distinções de nobreza.

    Errada. Distinções de nobreza não aparecem no trecho. Foucault trata de técnicas de controle sobre os corpos, e não da estrutura estamental do Antigo Regime.

  • D

    Capilarização das práticas de controle.

    Correta. Processos mínimos, de origens diferentes e localizações esparsas, que se imitam e se apoiam até formar um método geral presente em colégios, escolas, hospitais e quartéis: é a definição de um poder que se ramifica por toda parte.

  • E

    Espetacularização das medidas de penitência.

    Errada. Espetacularizar é característico do suplício público, e o texto insiste no contrário: os processos são “mínimos” e “esparsos”, isto é, discretos e pouco visíveis.

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