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Linguagens, Códigos e suas Tecnologias

Questão 3 do ENEM 2025 resolvida

Canção de Silvio Rodríguez sobre a infância; a questão pede o recurso que faz da letra um relato de memórias.

Ver a questão 3 na opção inglês

Questão 3 do ENEM 2025, aplicação regular, como saiu no caderno de prova
ENEM 2025 · aplicação regular · caderno 1 · azul · opção espanhol · questão 3
Ler o enunciado em texto

Cuando yo era chiquito
todo quedaba cerca, cerquita.
Para llegar al cielo
no más bastaba una subidita.
El sueño me alcanzaba
para ir tan lejos como quería.
Cuando yo era chiquito
yo sí podía, yo sí podía.
Libertad, libertad,
libertad para mi niño.
[...]
Cuando yo era vejigo
me iba pa’l río porque era hermoso,
aunque estaba prohibido
por peligroso, por peligroso.
Como jagüey y ceiba,
como la palma y la yagruma,
cuando yo era vejigo
yo era del monte y soñaba espuma.
Libertad, libertad,
libertad para mi niño.

RODRÍGUEZ, S. Cuando yo era un enano. In: Oh Melancolía. Havana:

Empresa de Grabaciones y Ediciones Musicales, 1988 (fragmento).

O recurso que caracteriza essa letra de canção como um relato das memórias do eu poético é o uso de

A palavras no grau diminutivo.
B adjetivos na descrição da paisagem.
C vocábulos relacionados à fauna cubana.
D verbos no pretérito imperfeito do indicativo.
E marcas linguísticas de uma variedade caribenha.

Gabarito oficial

D

Caderno de referência do INEP. Na opção inglês o gabarito da questão 3 é D.

O que a questão cobra

Análise de recurso linguístico com função textual. Não basta apontar um traço presente na letra: ele precisa ser o responsável por caracterizar o texto como relato de memórias.

Resolução passo a passo

  1. Um relato de memória precisa, antes de tudo, situar os fatos no passado — e num passado que dura, que se repete, e não num ponto único do tempo.
  2. A letra é sustentada por formas verbais como era, quedaba, bastaba, alcanzaba, quería, podía, iba, estaba, soñaba. Todas no pretérito imperfeito do indicativo.
  3. Esse é justamente o tempo do hábito e da duração no passado: "quando eu era pequeno, tudo ficava perto", "eu ia para o rio porque era bonito". Não se narra um dia específico; narra-se como as coisas eram.
  4. Os demais traços da canção (diminutivos, adjetivos, palavras cubanas) dão cor ao texto, mas quem o constitui como memória é o tempo verbal. Alternativa D.

Alternativa por alternativa

  • A

    palavras no grau diminutivo.

    Errada. Chiquito, cerquita, subidita existem na letra e dão o tom afetivo e a perspectiva infantil — mas diminutivo não marca passado. Trocando os verbos para o presente, os diminutivos continuariam ali e o relato de memória se desfaria.

  • B

    adjetivos na descrição da paisagem.

    Errada. Hermoso e peligroso descrevem a paisagem e o risco, e descrição não é o mesmo que rememoração. Um texto pode descrever sem nenhum recuo temporal.

  • C

    vocábulos relacionados à fauna cubana.

    Errada. Jagüey, ceiba, palma, yagruma ancoram a canção em Cuba e são vegetação, não fauna. De qualquer modo, localizar geograficamente não é relatar memória.

  • D

    verbos no pretérito imperfeito do indicativo.

    Correta. O pretérito imperfeito é o tempo do passado habitual, e é ele que instala a distância entre o adulto que canta e o menino que foi. É esse contraste que transforma a letra em relato de memórias.

  • E

    marcas linguísticas de uma variedade caribenha.

    Errada. Vejigo e pa’l marcam a variedade caribenha e a oralidade, o que caracteriza de onde vem a voz — não quando aconteceu o que ela conta.

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