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É que o espírito de comércio traz consigo o espírito de frugalidade, de economia, de moderação, de trabalho, de sabedoria, de tranquilidade, de ordem e de regra. Assim, enquanto subsiste este espírito, as riquezas que ele produz não têm nenhum mau efeito.
MONTESQUIEU. O Espírito das Leis. São Paulo: Martins Fontes, 1996.
A doutrina econômica que se articula com as proposições defendidas no texto denomina-se:
A Socialismo.
B Liberalismo.
C Fisiocratismo.
D Keynesianismo.
E Regulacionismo.
Gabarito oficial
B
Caderno de referência do INEP.
O que a questão cobra
História das ideias: relacionar a valorização do comércio a uma doutrina econômica.
Resolução passo a passo
- Veja o que Montesquieu atribui ao comércio: “frugalidade, economia, moderação, trabalho, sabedoria, tranquilidade, ordem e regra”. Ele o apresenta como força civilizadora.
- Note a conclusão: “as riquezas que ele produz não têm nenhum mau efeito”. O enriquecimento privado é defendido como bom para a sociedade.
- Situe historicamente: Montesquieu escreve em 1748, em plena crítica ao mercantilismo, que via o comércio como jogo de soma zero controlado pelo Estado.
- Defender que a atividade comercial livre produz virtudes e riqueza sem dano é a base do Liberalismo econômico, que Adam Smith sistematizaria em 1776 — alternativa B.
Alternativa por alternativa
- A
Socialismo.
Errada. O socialismo é do século XIX e critica justamente o acúmulo privado de riqueza. Montesquieu afirma o contrário: que essa riqueza não tem mau efeito.
- B
Liberalismo.
Correta. Ao ligar o comércio a virtudes como economia, moderação e ordem, e ao absolver a riqueza que ele gera, Montesquieu antecipa o núcleo do liberalismo econômico que Adam Smith desenvolveria décadas depois.
- C
Fisiocratismo.
Errada. Os fisiocratas sustentavam que só a terra produz riqueza real, e viam o comércio como improdutivo. O texto defende exatamente o oposto.
- D
Keynesianismo.
Errada. O keynesianismo é do século XX e defende intervenção do Estado na economia. O trecho não fala em Estado algum.
- E
Regulacionismo.
Errada. Regulação estatal do mercado contraria a confiança de Montesquieu no próprio “espírito de comércio” como produtor de ordem.