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Ciências Humanas e suas Tecnologias

Questão 46 do ENEM 2025 resolvida

Trecho de Gloria Anzaldúa: castigada na escola por tentar ensinar a professora a pronunciar seu nome, ela afirma que identidade étnica e linguística são “unha e carne” e que não pode aceitar sua legitimidade sem aceitar a de suas línguas.

Questão 46 do ENEM 2025, aplicação de Belém, como saiu no caderno de prova
ENEM 2025 · aplicação de Belém · caderno 1 · azul · questão 46
Ler o enunciado em texto

Eu me lembro de ser mandada para o canto da sala de aula por “responder” à professora quando tudo o que eu estava tentando fazer era mostrar a ela como pronunciar meu nome. Assim, se você quer mesmo me ferir, fale mal da minha língua. A identidade étnica e a identidade linguística são unha e carne — eu sou minha língua. Eu não posso ter orgulho de mim mesma até que possa ter orgulho da minha língua. Até que eu possa aceitar como legítimos o espanhol chicano texano, o Tex-Mex, e todas as outras línguas que falo, eu não posso aceitar a minha própria legitimidade.

ANZALDÚA, G. Como domar uma língua selvagem.

Cadernos de Letras da UFF, n. 39, 2009 (adaptado).

O argumento da intelectual mexicana ressalta as dificuldades impostas pela

A construção súbita de barreiras físicas.
B precarização estrutural do ensino de idiomas.
C dissolução governamental da segurança jurídica.
D configuração política da experiência comunicativa.
E relativização pós-moderna da estratificação social.

Gabarito oficial

D

Caderno de referência do INEP.

O que a questão cobra

Linguagem e poder: reconhecer a dimensão política do conflito linguístico relatado.

Resolução passo a passo

  1. Comece pela cena inicial: ela é mandada para o canto da sala “por “responder” à professora” quando só tentava ensiná-la a pronunciar seu nome. Falar a própria língua foi tratado como desacato.
  2. Note quem pune: a escola, instituição do Estado. Não é um desentendimento pessoal — é uma norma sendo imposta sobre quem fala diferente.
  3. Leia a tese que ela extrai daí: “A identidade étnica e a identidade linguística são unha e carne — eu sou minha língua”. Desqualificar a língua é desqualificar a pessoa.
  4. E veja o desfecho do raciocínio: só aceitando como legítimos o espanhol chicano e o Tex-Mex ela pode aceitar a própria legitimidade. Legitimar ou não uma língua é decisão de poder: a configuração política da experiência comunicativa — alternativa D.

Alternativa por alternativa

  • A

    construção súbita de barreiras físicas.

    Errada. O muro na fronteira é assunto recorrente em Anzaldúa, mas não aparece aqui. A barreira deste trecho é simbólica: a que separa línguas legítimas de ilegítimas.

  • B

    precarização estrutural do ensino de idiomas.

    Errada. Não há queixa sobre estrutura escolar, falta de recursos ou método de ensino. O que se relata é uma punição por falar de um jeito.

  • C

    dissolução governamental da segurança jurídica.

    Errada. Segurança jurídica não é tema do texto. A autora trata de identidade e de reconhecimento, não de direito positivo.

  • D

    configuração política da experiência comunicativa.

    Correta. Ser castigada na escola por pronunciar o próprio nome mostra que decidir quais línguas valem é um ato de poder. Como identidade étnica e linguística são inseparáveis, negar a língua é negar a pessoa.

  • E

    relativização pós-moderna da estratificação social.

    Errada. O texto não relativiza nada: afirma com força que suas línguas são legítimas. E a estratificação social aparece como realidade imposta, não como noção a ser diluída.

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