Ler o enunciado em texto
Para os gregos, forçar alguém mediante violência, ordenar ao invés de persuadir, eram modos pré-políticos de lidar com as pessoas, típicos da vida fora da polis, característicos do lar e da vida em família, na qual o chefe da casa imperava com poderes incontestes e despóticos.
ARENDT, H. A condição humana. São Paulo: Perspectiva, 2004.
A filósofa alemã Hannah Arendt analisa uma noção de poder sustentada pelo vínculo entre a autoridade e a violência para criticar tendências que se baseiam no(a)
A força coercitiva das leis.
B arbítrio individual do governante.
C monitoramento coletivo dos cidadãos.
D imposição constritiva dos argumentos.
E obediência aos mecanismos de repressão.
Gabarito oficial
B
Caderno de referência do INEP.
O que a questão cobra
Filosofia política: distinguir o espaço público da persuasão do espaço doméstico do mando.
Resolução passo a passo
- Separe os dois espaços que Arendt opõe. Na polis, decide-se pela persuasão entre iguais — é isso que ela chama de político.
- No lar, ao contrário, “o chefe da casa imperava com poderes incontestes e despóticos”. Ninguém argumenta com ele; obedece-se.
- Repare no adjetivo: incontestes. A vontade do chefe não é discutida nem submetida a ninguém. Ela vale porque é dele.
- A crítica recai, portanto, sobre a política que funciona como o lar grego: aquela em que manda o arbítrio individual do governante, e não o debate — alternativa B.
Alternativa por alternativa
- A
força coercitiva das leis.
Errada. A lei, na polis, é fruto do acordo entre cidadãos e vale para todos, inclusive para quem governa. O que Arendt critica é o poder que dispensa esse acordo.
- B
arbítrio individual do governante.
Correta. O chefe da casa grego impunha sua vontade com poderes incontestes e despóticos, sem persuadir ninguém. É essa política reduzida ao arbítrio de quem manda que o trecho critica.
- C
monitoramento coletivo dos cidadãos.
Errada. Vigilância sobre os cidadãos é preocupação contemporânea, ausente do texto. Arendt trata da diferença antiga entre mandar e convencer.
- D
imposição constritiva dos argumentos.
Errada. A alternativa inverte o argumento: o argumento é justamente a alternativa política à força. Persuadir não é constranger.
- E
obediência aos mecanismos de repressão.
Errada. Os mecanismos de repressão são consequência possível do despotismo, mas o trecho localiza o problema antes disso — em ordenar em vez de persuadir.