Ler o enunciado em texto
O livro no Brasil vive seus dias mais difíceis. As editoras já vêm diminuindo o número de livros lançados, deixando autores de venda mais lenta fora de seus planos imediatos, demitindo funcionários em todas as áreas. Com a recuperação judicial de duas grandes livrarias, dezenas de lojas foram fechadas, centenas de livreiros foram despedidos, e as editoras ficaram sem 40% ou mais dos seus recebimentos — gerando um rombo que oferece riscos graves para o mercado editorial no Brasil. Passei por um dos piores momentos da minha vida pessoal e profissional quando, pela primeira vez em 32 anos, tive que demitir seis funcionários que há tempos contribuíam com sua energia para o que construímos no nosso dia a dia.
Sem querer julgar publicamente erros de terceiros, mas disposto a uma honesta autocrítica da categoria em geral, escrevo mais esta carta aberta para pedir que todos nós, editores, livreiros e autores, procuremos soluções criativas e idealistas neste momento. Cartas, zaps, e-mails, posts nas mídias sociais e vídeos, feitos de coração aberto, nos quais a sinceridade prevaleça, buscando apoiar os parceiros do livro, com especial atenção a seus protagonistas mais frágeis, são mais que bem-vindos: são necessários. O que precisamos agora, entre outras coisas, é de cartas de amor aos livros.
Disponível em: www.blogdacompanhia.com.br.
Acesso em: 11 dez. 2018 (adaptado).
Para sensibilizar o público-alvo sobre a necessidade de se escreverem “cartas de amor aos livros”, o autor
A apresenta dados estatísticos de pesquisas.
B narra fatos pessoais ocorridos em sua empresa.
C avalia o trabalho dos profissionais do mercado editorial.
D enumera causas do problema vivido por grandes livrarias.
E exemplifica o potencial positivo da exploração das redes sociais.
Gabarito oficial
B
Caderno de referência do INEP.
O que a questão cobra
Estratégias argumentativas: identificar o recurso usado para sensibilizar o leitor.
Resolução passo a passo
- Separe o que é panorama do que é testemunho. O primeiro parágrafo descreve o setor: editoras reduzindo lançamentos, lojas fechadas, 40% de recebimentos perdidos.
- Agora veja onde o texto muda de tom: “Passei por um dos piores momentos da minha vida pessoal e profissional quando, pela primeira vez em 32 anos, tive que demitir seis funcionários”.
- Repare no que esse trecho tem de diferente: primeira pessoa, tempo de casa (32 anos), número exato de pessoas (seis) e o vínculo afetivo — gente “que há tempos contribuía com sua energia”.
- É esse relato da própria empresa que transforma estatística em dor concreta e prepara o pedido de “cartas de amor aos livros”. A estratégia é narrar fatos pessoais ocorridos em sua empresa — alternativa B.
Alternativa por alternativa
- A
apresenta dados estatísticos de pesquisas.
Errada. Os únicos números são “40% ou mais dos seus recebimentos” e “seis funcionários”, e nenhum vem de pesquisa. Não há dado estatístico apresentado como tal.
- B
narra fatos pessoais ocorridos em sua empresa.
Correta. O autor sai do panorama do setor e conta o que viveu: demitir seis funcionários pela primeira vez em 32 anos, no pior momento de sua vida pessoal e profissional. É esse testemunho que sensibiliza.
- C
avalia o trabalho dos profissionais do mercado editorial.
Errada. Ele se dirige a editores, livreiros e autores como parceiros, propondo uma autocrítica coletiva — e diz expressamente que não quer “julgar publicamente erros de terceiros”.
- D
enumera causas do problema vivido por grandes livrarias.
Errada. As causas aparecem de raspão (a recuperação judicial de duas livrarias), sem enumeração nem análise. O texto descreve efeitos, não origens.
- E
exemplifica o potencial positivo da exploração das redes sociais.
Errada. Cartas, zaps, posts e vídeos aparecem no pedido final, como meios de agir. Eles não são exemplo de nada já realizado.