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Uma vacina para tratar a dependência de drogas
O Brasil e o mundo enfrentam dificuldades quando se trata de encontrar saídas para o vício em drogas. “Esse é um desafio complexo, multifatorial, que envolve questões biológicas, psicológicas e vulnerabilidades sociais. Por isso, exige diferentes abordagens terapêuticas”, diz um psiquiatra da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ele é o responsável pelo desenvolvimento de uma estratégia inovadora contra a dependência que se vale das próprias defesas do organismo do paciente para se blindar dos efeitos da droga. Juntamente com sua equipe, o médico criou uma molécula inteiramente sintética, base de uma vacina terapêutica capaz de interromper o mecanismo que provoca a compulsão. Assim nasceu a Calixcoca, que já é produzida em escala de pesquisa nos laboratórios da faculdade.
“Não se trata de uma vacina mágica, uma panaceia. A vacina foi elaborada para complementar o tratamento usual”, pondera o especialista. Nos experimentos, o imunizante demonstrou potencial para produzir anticorpos contra a droga, prevenindo sua atuação no cérebro. “A Calixcoca modifica a molécula de cocaína, cessando ou diminuindo sua ação no chamado circuito de recompensa. Assim, é possível interromper a série de recaídas comuns na dependência”, explica o pesquisador. Agora os cientistas esperam continuar a sequência de estudos clínicos para avaliar a eficácia e a segurança do produto, assim como identificar quais perfis de pacientes poderão ser mais beneficiados com a vacina.
TENÓRIO, G.; PEREIRA, R. C. Vitórias da ciência brasileira.
Veja Saúde, n. 449, jan. 2024 (adaptado).
Nesse texto, a estratégia argumentativa utilizada para destacar a inovação desenvolvida foi a
A identificação de perfis adequados para a utilização do imunizante.
B apresentação das consequências sociais da dependência química.
C ênfase nos procedimentos da pesquisa para a produção da vacina.
D explicação do uso de variadas terapias para a solução do problema.
E descrição da atuação da vacina no organismo do dependente químico.
Gabarito oficial
E
Caderno de referência do INEP.
O que a questão cobra
Estratégias argumentativas em divulgação científica: identificar o recurso que destaca a inovação.
Resolução passo a passo
- Procure onde o texto detalha o funcionamento da vacina, e não sua história. Primeiro: ela “vale-se das próprias defesas do organismo do paciente para se blindar dos efeitos da droga”.
- Depois: “o imunizante demonstrou potencial para produzir anticorpos contra a droga, prevenindo sua atuação no cérebro”.
- E o mecanismo explicado pelo pesquisador: “A Calixcoca modifica a molécula de cocaína, cessando ou diminuindo sua ação no chamado circuito de recompensa”, o que interrompe as recaídas.
- É essa descrição de como a vacina age dentro do corpo que mostra o que há de novo nela — descrição da atuação da vacina no organismo do dependente químico, alternativa E.
Alternativa por alternativa
- A
identificação de perfis adequados para a utilização do imunizante.
Errada. Identificar os perfis mais beneficiados é apresentado como tarefa futura: “os cientistas esperam continuar a sequência de estudos clínicos”. Ainda não há perfis definidos.
- B
apresentação das consequências sociais da dependência química.
Errada. As vulnerabilidades sociais são citadas em uma linha, para caracterizar a complexidade do problema. Elas situam o contexto, não destacam a inovação.
- C
ênfase nos procedimentos da pesquisa para a produção da vacina.
Errada. O texto informa que a molécula é sintética e que a produção é em escala de pesquisa, mas não descreve procedimentos, etapas ou métodos do laboratório.
- D
explicação do uso de variadas terapias para a solução do problema.
Errada. As “diferentes abordagens terapêuticas” aparecem na abertura, justamente para situar a vacina como complemento ao tratamento usual. Não é o que a torna inovadora.
- E
descrição da atuação da vacina no organismo do dependente químico.
Correta. O texto explica que a vacina usa as defesas do próprio organismo, gera anticorpos contra a cocaína, modifica a molécula da droga e bloqueia sua ação no circuito de recompensa. É esse mecanismo que evidencia a inovação.