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Segundo estudiosos do nosso idioma, as gírias e os neologismos contemporâneos originam-se de ambientes segmentados, como o videogame. De vez em quando, alguns desses termos furam a bolha e intrigam quem não circula por esses espaços.
Um caso em evidência atualmente é “tankar” — eu “tanko”, tu “tankas”. O verbo veio de um tipo de personagem popular em games de combate em equipe: o tank funciona como um escudo, permitindo ao resto do time executar suas tarefas. Em um ano difícil como o de 2022, a palavra se popularizou como sinônimo de “aguentar”, “suportar” (no sentido oposto surgiu “intankável”, aquilo que não pode ser suportado). “Até os anos 1980, as gírias vinham de uma cultura massiva mais forte e dominante, como novelas e programas de humor”, diz uma professora do curso de Estudos de Mídia da Universidade Federal Fluminense. “Havia um solo comum em que elas eram compartilhadas. Hoje as fontes são muito mais específicas e diversas”.
Disponível em: https://oglobo.globo.com.
Acesso em: 24 jan. 2024 (adaptado).
De acordo com esse texto, o uso da palavra “tankar” e seus derivados
A provoca dificuldades de compreensão entre usuários de games.
B produz humor fora do contexto original de sua criação.
C demonstra como as gírias refletem a cultura televisiva.
D marca a criação de neologismos em épocas de crise.
E revela o impacto dos jogos eletrônicos na língua.
Gabarito oficial
E
Caderno de referência do INEP.
O que a questão cobra
Variação e mudança linguística: identificar o que o caso de “tankar” demonstra.
Resolução passo a passo
- Note de onde vem a palavra: “O verbo veio de um tipo de personagem popular em games de combate em equipe: o tank funciona como um escudo”. A origem é o videogame.
- Acompanhe o percurso dela: nasceu dentro do jogo, “furou a bolha” e virou sinônimo de aguentar na língua corrente — e ainda gerou derivados, “eu tanko, tu tankas” e “intankável”.
- Repare que a palavra foi incorporada ao sistema: ganhou conjugação e prefixo de negação. Não é moda passageira, é a língua absorvendo o termo.
- E o texto generaliza: hoje as gírias vêm de ambientes segmentados como o videogame, ao contrário das décadas de novelas e programas de humor. O caso revela o impacto dos jogos eletrônicos na língua — alternativa E.
Alternativa por alternativa
- A
provoca dificuldades de compreensão entre usuários de games.
Errada. É o contrário: quem joga entende bem o termo. A palavra “intriga quem não circula por esses espaços”.
- B
produz humor fora do contexto original de sua criação.
Errada. Não há menção a humor. “Tankar” foi adotado com sentido sério — aguentar um ano difícil —, não como piada.
- C
demonstra como as gírias refletem a cultura televisiva.
Errada. A televisão aparece como a fonte do passado, “até os anos 1980”. O caso de “tankar” serve justamente para mostrar que essa fonte mudou.
- D
marca a criação de neologismos em épocas de crise.
Errada. 2022 é citado para situar quando o termo se popularizou, mas a explicação do texto é sobre a origem das gírias hoje, não sobre crises produzirem neologismos.
- E
revela o impacto dos jogos eletrônicos na língua.
Correta. “Tankar” nasceu num tipo de personagem de jogo, atravessou para a língua comum já conjugado e com derivado (“intankável”), e a reportagem o usa para mostrar que hoje as gírias vêm de ambientes como o videogame.