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Questão 20 do ENEM 2025 resolvida

Trecho de A casa das sete mulheres, de Letícia Wierzchowski: viúva, Maria Manuela borda o enxoval e conta com o noivo de uma filha e com a volta do filho Antônio para casar as outras duas.

Questão 20 do ENEM 2025, aplicação de Belém, como saiu no caderno de prova
ENEM 2025 · aplicação de Belém · caderno 1 · azul · questão 20
Ler o enunciado em texto

Maria Manuela foi bordar no sofá. Ela ainda tinha três filhas para casar, e agora estava sem marido. Ainda bem que Manuela já tinha o Joaquim. Logo que a maldita guerra acabasse, ficavam noivos e casavam sem demora. Era um compromisso a menos. E depois, Antônio, quando voltasse, ajudaria a achar bom partido para as outras duas manas. Mas agora Antônio estava nos arredores de Porto Alegre, naquele sítio interminável que os rebeldes impunham à cidade. E Maria Manuela rezava por ele todos os dias, apegava-se às suas santas, fazia promessas complicadas, jejuava. Tinha perdido o marido, mas seu filho querido, esse, nem que ela tivesse de queimar todas as velas do Rio Grande, esse voltava para casa são e salvo. Pegou a agulha e recomeçou o trabalho de onde o tinha deixado na noite anterior. Era uma toalha de mesa, para o enxoval de Manuela.

WIERZCHOWSKI, L. A casa das sete mulheres.

Rio de Janeiro: Record, 2003. Nesse trecho do romance, o narrador expõe as preocupações de Maria Manuela em relação aos filhos, enfatizando valores relacionados à

A viuvez como causa de solidão da matriarca.
B obrigação materna de preparar o enxoval das filhas.
C visão do matrimônio como garantia de estabilidade financeira.
D dependência dos filhos homens para planejar o futuro familiar.
E adesão das mulheres à religiosidade como recurso de segurança.

Gabarito oficial

C

Caderno de referência do INEP.

O que a questão cobra

Leitura de romance histórico: identificar o valor social que organiza as preocupações da personagem.

Resolução passo a passo

  1. Reconstrua a situação: Maria Manuela “ainda tinha três filhas para casar, e agora estava sem marido”. Sem o marido, falta quem arranje os casamentos.
  2. Veja como ela resolve a primeira: “Ainda bem que Manuela já tinha o Joaquim” — e conclui, revelador, “Era um compromisso a menos”.
  3. E as outras duas? “E depois, Antônio, quando voltasse, ajudaria a achar bom partido para as outras duas manas”. O futuro delas fica suspenso até o irmão voltar.
  4. Por isso ela reza, faz promessas e jejua por Antônio: dele depende o plano inteiro. O valor em jogo é a dependência dos filhos homens para planejar o futuro familiar — alternativa D.

Alternativa por alternativa

  • A

    viuvez como causa de solidão da matriarca.

    Errada. A viuvez aparece como problema prático — ficou sem quem conduzisse os casamentos —, e não como sofrimento de solidão. O texto não descreve a dor da perda.

  • B

    obrigação materna de preparar o enxoval das filhas.

    Errada. O enxoval é o pano de fundo da cena: ela borda enquanto pensa. A preocupação está nos casamentos a arranjar, não na confecção da toalha.

  • C

    visão do matrimônio como garantia de estabilidade financeira.

    Errada. O texto fala em “bom partido”, mas não menciona dinheiro, dote ou patrimônio. O que se busca é resolver o destino das filhas, e quem resolve é o homem da casa.

  • D

    dependência dos filhos homens para planejar o futuro familiar.

    Correta. Sem marido, Maria Manuela transfere ao filho Antônio a tarefa de encontrar “bom partido” para as duas filhas restantes, e reza e jejua por ele. O futuro das mulheres da casa depende do retorno do homem.

  • E

    adesão das mulheres à religiosidade como recurso de segurança.

    Errada. A religiosidade existe — santas, promessas, jejum —, mas é instrumento: ela reza para que Antônio volte. O objetivo continua sendo o plano que depende dele.

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