Ler o enunciado em texto
“Minhas senhoras e meus senhores (se eventualmente aparecer algum, o que não é provável):
[...] É comovedor, senhoras, esta vossa luta em prol de vossos jovenzinhos que ora sobem degraus na escada do saber. Soube, através de vossa reivindicação, que o assunto a ser debatido seriam as provas, nas quais vossos filhos não se saíram bem. Falaram-me, também, que parecia haver umas faixas onde foram bordadas algumas questões que não foram bem resolvidas. Senhoras, entendei-me: o que queremos, neste templo do saber, é elevar a alma humana aos píncaros do conhecimento e, senhoras, vós não tivestes esta áurea oportunidade, não a subtraiais a vossas crianças [...]. Senhoras, meu apelo especialmente movido do fundo do coração: sede mais severas! Obrigai vossos filhos firmemente a um estudo, tirai-lhes horas de folgança e arremessai-os sobre os livros!
[...] Mais uma vez o meu renovado agradecimento e admiração por mães tão conscientes dos estudos de seus filhos. Enquanto houver mulheres como vós, bastiões de nossa sociedade, o altivo sol da esperança brilhará resplandecente no céu do futuro.”
[...] Com muito vagar, as cabeças foram marcando o assentimento, uma a uma. As faixas jazendo esquecidas.
LACERDA, N. G. Manual de tapeçaria.
Rio de Janeiro: Philobiblion; Fundação Rio, 1986. Nesse texto, que retrata uma reunião com os responsáveis pelos estudantes de uma escola, a diretora usa linguagem rebuscada para
A esclarecer dúvidas.
B intimidar os interlocutores.
C enaltecer a dedicação das famílias.
D buscar a precisão das informações.
E mostrar preocupação com a situação.
Gabarito oficial
B
Caderno de referência do INEP.
O que a questão cobra
Efeitos de sentido: entender para que serve a linguagem rebuscada no discurso da diretora.
Resolução passo a passo
- Marque o motivo da reunião: as mães vieram reclamar “as provas, nas quais vossos filhos não se saíram bem”, e traziam faixas com as questões mal formuladas. Elas chegaram para cobrar.
- Agora olhe a linguagem da diretora: “vós não tivestes”, “não a subtraiais”, “píncaros do conhecimento”, “bastiões de nossa sociedade”. Pronomes arcaicos e vocabulário que ninguém usa na vida real.
- Repare no que ela faz com esse arsenal: elogia as mães (“mães tão conscientes”) e, no mesmo movimento, lembra que elas “não tiveram esta áurea oportunidade” — ou seja, não estudaram. Sutilmente as coloca abaixo.
- E veja o resultado: “as cabeças foram marcando o assentimento, uma a uma. As faixas jazendo esquecidas”. A reclamação evaporou. O rebuscamento serviu para intimidar os interlocutores — alternativa B.
Alternativa por alternativa
- A
esclarecer dúvidas.
Errada. Nenhuma dúvida é esclarecida. As questões das faixas não chegam sequer a ser discutidas — é justamente o que a diretora evita.
- B
intimidar os interlocutores.
Correta. O vocabulário inacessível, somado à lembrança de que as mães não tiveram estudo, impõe distância e autoridade. As faixas acabam esquecidas: a fala funcionou como barreira, não como resposta.
- C
enaltecer a dedicação das famílias.
Errada. Os elogios (“É comovedor, senhoras”, “mães tão conscientes”) são o meio da manobra, não seu fim. Servem para desarmar quem veio cobrar.
- D
buscar a precisão das informações.
Errada. Precisão é o contrário do que se vê. O discurso é vago e cheio de metáforas — “o altivo sol da esperança”, “o céu do futuro” —, sem tratar de nenhum dado concreto.
- E
mostrar preocupação com a situação.
Errada. A diretora desloca a preocupação para as mães, pedindo que sejam “mais severas” com os filhos. Ela não assume problema algum da escola.