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Questão 49 do ENEM 2025 resolvida

Trecho de Jacques Derrida sobre o perdão: só se perdoa lembrando, e o único perdão possível é o do imperdoável.

Questão 49 do ENEM 2025, aplicação regular, como saiu no caderno de prova
ENEM 2025 · aplicação regular · caderno 1 · azul · questão 49
Ler o enunciado em texto

O perdão não é o esquecimento. Ao contrário, ele requer a memória absolutamente viva do que não se pode esquecer, para além de todo trabalho do luto, de reconciliação, de restauração. Apenas se pode perdoar lembrando-se, sem atenuar, o malfeito, aquilo que se tem a perdoar. Se apenas perdoo o que é perdoável, o pecado não mortal, não faço nada que mereça o nome de perdão. O que é perdoável está de antemão perdoado. Daí a aporia: apenas se tem a perdoar o imperdoável. O único perdão possível é, portanto, realmente o perdão impossível.

DERRIDA, J. Papel máquina. São Paulo: Estação Liberdade, 2004. O conceito de perdão apresentado no texto pressupõe a necessidade de

A dirigir um apelo ético também à vítima.
B isentar de culpabilidade moral o ofensor.
C reaproximar de forma imediata os envolvidos.
D exigir uma reparação efetiva pela dor causada.
E evidenciar o caráter religioso da ação de desculpar.

Gabarito oficial

A

Caderno de referência do INEP.

O que a questão cobra

Filosofia contemporânea: compreender a aporia do perdão e o que ela exige de quem perdoa.

Resolução passo a passo

  1. Isole a primeira tese: “O perdão não é o esquecimento. Ao contrário, ele requer a memória absolutamente viva do que não se pode esquecer”.
  2. Repare em quem carrega essa memória. Quem lembra “sem atenuar, o malfeito” é quem sofreu — a vítima. Ela é o sujeito do verbo perdoar em todo o trecho.
  3. Agora a aporia: “Se apenas perdoo o que é perdoável […] não faço nada que mereça o nome de perdão”; logo, “apenas se tem a perdoar o imperdoável”.
  4. Derrida está, portanto, exigindo algo da vítima: perdoar sem esquecer e sem diminuir a ofensa, justamente aquilo que não merece perdão. É um apelo ético dirigido também a quem foi ferido — alternativa A.

Alternativa por alternativa

  • A

    dirigir um apelo ético também à vítima.

    Correta. Como o perdão exige memória viva do malfeito e incide sobre o imperdoável, quem precisa realizar esse gesto quase impossível é a vítima. O texto formula, assim, uma exigência ética que recai também sobre ela, e não apenas sobre o ofensor.

  • B

    isentar de culpabilidade moral o ofensor.

    Errada. É o contrário: lembrar “sem atenuar” o malfeito significa manter a culpa inteira. Se a falta fosse desculpada, não haveria o que perdoar.

  • C

    reaproximar de forma imediata os envolvidos.

    Errada. Derrida coloca o perdão “para além de todo trabalho do luto, de reconciliação, de restauração”. Ele não depende de reaproximação, muito menos imediata.

  • D

    exigir uma reparação efetiva pela dor causada.

    Errada. A reparação pertence à ordem da restauração, que o texto expressamente ultrapassa. Um perdão condicionado à reparação seria perdão do perdoável — o que, para Derrida, não é perdão.

  • E

    evidenciar o caráter religioso da ação de desculpar.

    Errada. O trecho usa “pecado não mortal” como referência conceitual, mas a argumentação é filosófica e trata da possibilidade lógica do perdão, não de sua dimensão religiosa.

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