Ler o enunciado em texto
Tudo
Você atravessando a rua fez parar meu coração
Não morri, não era hora, mas me fez suar
Teu sorriso dá barato, já me fez rolar na grama
E não querer voltar
Mas eu volto com saudade pra te encontrar no futuro
O mundo não é tão grande pra eu não te achar
Um dia cê vai tar na rua, vai olhar pro lado
E daquele muro vai me ouvir gritar
Deixa eu ficar na tua vida
Morar dentro da concha
Do teu abraço não quero largar
Que seja
Real além da conta
O que a gente precisa
É aprender sonhar
LINIKER. Caju. Rio de Janeiro: Estúdio Brocal, 2024 (fragmento).
Nessa letra de canção, as formas linguísticas utilizadas evidenciam uma variedade motivada pelo(a)
A pertencimento a uma região específica do país.
B necessidade de adequação à norma-padrão.
C identificação com um grupo geracional.
D distanciamento entre os interlocutores.
E contexto informal de comunicação.
Gabarito oficial
E
Caderno de referência do INEP.
O que a questão cobra
Variação linguística: reconhecer o fator que motiva a variedade empregada.
Resolução passo a passo
- Liste as marcas linguísticas: “cê vai tar” (redução de você e estar), “pra”, “dá barato”, “me fez rolar na grama”.
- Agora teste cada fator de variação. É regional? Nada ali é exclusivo de um estado — “cê” e “pra” se ouvem no país inteiro.
- É geracional? “Dá barato” é gíria antiga e amplamente usada; a letra não traz nenhum termo que marque uma geração específica.
- Sobra o fator que explica tudo de uma vez: trata-se de uma canção de amor dirigida à pessoa amada, situação descontraída e íntima. A variedade é motivada pelo contexto informal — alternativa E.
Alternativa por alternativa
- A
pertencimento a uma região específica do país.
Errada. Não há regionalismo. Reduções como “cê”, “tar” e “pra” são próprias da fala espontânea em todo o Brasil, não de uma região.
- B
necessidade de adequação à norma-padrão.
Errada. É o oposto: a letra se afasta da norma-padrão justamente porque não precisa dela. Na norma-padrão escreveríamos “você vai estar”, “para”.
- C
identificação com um grupo geracional.
Errada. Nenhuma expressão marca faixa etária. “Dar barato” circula há décadas e entre gerações diferentes; a variação aqui é de registro, não de idade.
- D
distanciamento entre os interlocutores.
Errada. O clima é de máxima aproximação — “deixa eu ficar na tua vida”, “morar dentro da concha do teu abraço”. Distanciamento entre interlocutores é exatamente o que não há.
- E
contexto informal de comunicação.
Correta. A canção fala de amor, em tom íntimo e espontâneo, e por isso usa a variedade coloquial: “cê”, “tar”, “pra”, “dá barato”. É a informalidade da situação comunicativa que motiva essas escolhas.