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Questão 38 do ENEM 2025 resolvida

Crônica de Ruy Castro sobre “escrever bem”: para ele, ninguém escreve bem de primeira — o que existe é reescrever, cortando o excesso.

Questão 38 do ENEM 2025, aplicação regular, como saiu no caderno de prova
ENEM 2025 · aplicação regular · caderno 1 · azul · questão 38
Ler o enunciado em texto

Escrever bem

Às vezes vejo-me envolvido em discussões sobre “escrever bem”. Já pensei no assunto e tenho uma ideia formada: ninguém “escreve bem”. Alguns “reescrevem bem” e, com isso, produzem textos mais enxutos, claros e eficientes. O segredo está em ler o que se acabou de escrever, enxergar os excessos e meter-lhes a caneta. Donde o mais exato seria dizer que ninguém escreve bem de primeira.

Reescrever consiste em expurgar o desnecessário. Certa vez, revisei um livro de autor famoso e joguei fora tantos naturalmentes e principalmentes que dariam para encher um caminhão. O livro melhorou muito.

Reescrever exige colocar-se no lugar do leitor e perguntar se a informação precisa de certos anexos. Um deles é o “vale ressaltar que...” — ao qual se segue a informação que se quer ressaltar. Experimente cortar o “vale ressaltar” e ir direto à informação. Descobrirá que não perderá nada com isso.

E, assim como “vale ressaltar”, há o “é bom frisar”, “cabe destacar”, “convém assinalar” etc. e, claro, “pontuar” (por que não “virgular”?). Pesos mortos, inúteis. O papel aceita tudo, como sabemos. Mas muitos leitores não.

CASTRO, R. Disponível em: www1.folha.uol.com.br.

Acesso em: 3 jan. 2024 (adaptado).

Nesse texto, uma das estratégias empregadas para convencer o leitor sobre a tese defendida é o argumento por exemplificação, evidenciado em

A “Às vezes vejo-me envolvido em discussões sobre ‘escrever bem’. Já pensei no assunto e tenho uma ideia formada: ninguém ‘escreve bem’”.
B “O segredo está em ler o que se acabou de escrever, enxergar os excessos e meter-lhes a caneta”.
C “Certa vez, revisei um livro de autor famoso e joguei fora tantos naturalmentes e principalmentes que dariam para encher um caminhão. O livro melhorou muito”.
D “Reescrever exige colocar-se no lugar do leitor”.
E “O papel aceita tudo, como sabemos. Mas muitos leitores não”.

Gabarito oficial

C

Caderno de referência do INEP.

O que a questão cobra

Estratégias argumentativas: distinguir o argumento por exemplificação da tese e dos demais recursos.

Resolução passo a passo

  1. Localize primeiro a tese, para não confundi-la com o argumento: “ninguém escreve bem de primeira” — alguns apenas “reescrevem bem”.
  2. Argumento por exemplificação é aquele em que o autor apresenta um caso concreto, vivido ou observado, para comprovar o que afirma. Procure, então, um episódio com tempo, lugar ou personagem.
  3. Só um trecho tem isso: “Certa vez, revisei um livro de autor famoso e joguei fora tantos “naturalmentes” e “principalmentes” que dariam para encher um caminhão”. É um caso particular, narrado em primeira pessoa.
  4. E o exemplo prova a tese na frase seguinte: “O livro melhorou muito”. Cortar excesso melhorou um texto real — alternativa C.

Alternativa por alternativa

  • A

    “Às vezes vejo-me envolvido em discussões sobre ‘escrever bem’. Já pensei no assunto e tenho uma ideia formada: ninguém ‘escreve bem’”.

    Errada. Esse trecho enuncia a tese (“ninguém escreve bem”). É o ponto que precisa ser comprovado, e não a comprovação.

  • B

    “O segredo está em ler o que se acabou de escrever, enxergar os excessos e meter-lhes a caneta”.

    Errada. Aqui o autor explica o método — ler, enxergar os excessos, cortar. É uma orientação geral, sem nenhum caso concreto que a sustente.

  • C

    “Certa vez, revisei um livro de autor famoso e joguei fora tantos naturalmentes e principalmentes que dariam para encher um caminhão. O livro melhorou muito”.

    Correta. O autor narra um episódio específico da própria experiência como revisor — o livro do autor famoso, os “naturalmentes” e “principalmentes” cortados — e conclui que “o livro melhorou muito”. Um caso concreto usado para comprovar a tese é exatamente o argumento por exemplificação.

  • D

    “Reescrever exige colocar-se no lugar do leitor”.

    Errada. É mais uma formulação do princípio defendido. O exemplo viria depois, quando ele lista os “vale ressaltar”, mas a frase em si é abstrata.

  • E

    “O papel aceita tudo, como sabemos. Mas muitos leitores não”.

    Errada. “O papel aceita tudo” é um ditado popular, retomado com uma reviravolta (“mas muitos leitores não”). O recurso aí é o senso comum e a ironia, não a exemplificação.

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