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Quero brincar, meus amigos
De ver beleza nas coisas.
Beleza no desatino
No teu amor descuidado
Beleza tanta beleza
Na pobreza.
[...]
Quero brincar, meus amigos
De ver beleza na morte.
Mais que na morte, na vida.
Tão doce morrer em vida
Tão triste viver em vão.
Vamos brincar, meus amigos
E de mãos dadas cantar
Minha feliz invenção:
Beleza tanta beleza
Em tudo que não se vê
Beleza.
HILST, H. Da poesia. São Paulo: Cia. das Letras,
2017 (fragmento).
Em uma reflexão sobre a beleza na poesia e na vida, o eu lírico convida o leitor a
A reconhecer a relatividade do belo.
B superar desafios de uma vida monótona.
C experimentar vivências lúdicas e coletivas.
D aceitar a contradição entre fantasia e realidade.
E recorrer ao belo como alternativa à tristeza da morte.
Gabarito oficial
A
Caderno de referência do INEP.
O que a questão cobra
Análise poética: identificar a concepção de beleza que o eu lírico propõe.
Resolução passo a passo
- Liste onde o eu lírico enxerga beleza: “no desatino”, “no teu amor descuidado”, “na pobreza”, “na morte”, “em tudo que não se vê”.
- Perceba o que todos esses lugares têm em comum: nenhum deles é convencionalmente belo. Pobreza, desloucura e morte são o oposto do que a tradição chama de beleza.
- Repare no verbo que abre e fecha o poema: brincar de ver beleza. Ver beleza aí é um exercício de olhar, uma escolha — e o eu lírico chama isso de “minha feliz invenção”.
- Se a beleza é inventada pelo olhar e pode ser encontrada até no que parece feio ou invisível, então ela não é absoluta: o convite é a reconhecer a relatividade do belo — alternativa A.
Alternativa por alternativa
- A
reconhecer a relatividade do belo.
Correta. Ao encontrar beleza no desatino, na pobreza, na morte e “em tudo que não se vê”, e ao chamar isso de sua “feliz invenção”, o eu lírico mostra que o belo depende de quem olha. É um convite a perceber que a beleza não é fixa nem universal.
- B
superar desafios de uma vida monótona.
Errada. A vida do poema não é monótona — é intensa e contraditória. E o eu lírico não fala em superar desafios: fala em enxergar de outro modo o que já está aí.
- C
experimentar vivências lúdicas e coletivas.
Errada. O “brincar” e o “meus amigos” existem mesmo, mas são o modo do convite, não o seu conteúdo. O que se propõe é um exercício de percepção, não um programa de atividades em grupo.
- D
aceitar a contradição entre fantasia e realidade.
Errada. Não há contradição entre fantasia e realidade a ser aceita. A “invenção” do eu lírico é um jeito de olhar o real, e não um mundo imaginário oposto a ele.
- E
recorrer ao belo como alternativa à tristeza da morte.
Errada. A morte não é apresentada como tristeza a ser compensada pela beleza. Ao contrário: o eu lírico quer ver beleza na própria morte — e considera mais triste “viver em vão”.