Ler o enunciado em texto
TEXTO I
Antes do século 19, época em que as fábricas de porcelana europeias conseguiam produzir bens baratos e de alta qualidade, as gravuras e cerâmicas daquele continente, principalmente estatuetas de figuras humanas, animais e pássaros, eram levadas à China, para serem copiadas e transformadas em serviços de mesa e enfeites em porcelana. Esses itens eram produzidos especialmente para encomendas ocidentais e não eram usados na China. Muitos destinavam-se a ornar prateleiras e nichos especialmente instalados em elegantes casas europeias, criando “salas chinesas” ou enfeitando gabinetes. TEXTO II
HARRIS-HALL, J. China: uma história em objetos. São Paulo: Sesc-SP,
2018 (adaptado).
Os traços orientais do rosto da estátua indicam a
A nova referência estética da Europa, interessada por objetos de decoração tipicamente chineses.
B demanda por novos tipos de adereços para decorar as casas da burguesia ascendente.
C tendência do artista em incorporar seu repertório estético-cultural em sua produção.
D admiração dos europeus por representações faciais da cultura chinesa.
E dificuldade de transposição dos detalhes da gravura para a escultura.
Gabarito oficial
C
Caderno de referência do INEP.
O que a questão cobra
Relação entre texto e imagem: explicar uma diferença entre o modelo encomendado e a peça produzida.
Resolução passo a passo
- Entenda o circuito descrito no Texto I: gravuras e cerâmicas europeias eram “levadas à China, para serem copiadas” e viravam porcelana para o mercado ocidental.
- Note quem encomendava e quem executava: o modelo vinha da Europa, mas quem moldava a peça era o artesão chinês.
- Agora observe a imagem: o rosto da estátua saiu com traços orientais, embora a figura reproduzisse um modelo europeu.
- Ao dar forma ao rosto, o artesão recorreu ao que conhecia — as feições que via à sua volta. O que se vê é a incorporação do repertório estético-cultural do artista à obra encomendada: alternativa C.
Alternativa por alternativa
- A
nova referência estética da Europa, interessada por objetos de decoração tipicamente chineses.
Errada. Inverte o circuito. A Europa não encomendava objetos tipicamente chineses: mandava suas próprias gravuras e estatuetas para serem reproduzidas em porcelana.
- B
demanda por novos tipos de adereços para decorar as casas da burguesia ascendente.
Errada. A demanda por adereços de decoração explica por que as peças foram encomendadas, mas não por que o rosto ficou oriental. A pergunta é sobre o resultado, não sobre o pedido.
- C
tendência do artista em incorporar seu repertório estético-cultural em sua produção.
Correta. O modelo era europeu, mas quem o executou foi um artesão chinês, que imprimiu no rosto da estátua as feições de seu próprio repertório visual.
- D
admiração dos europeus por representações faciais da cultura chinesa.
Errada. Não há admiração europeia por feições chinesas no texto. O que os europeus queriam eram cópias de suas próprias imagens, produzidas com a qualidade da porcelana chinesa.
- E
dificuldade de transposição dos detalhes da gravura para a escultura.
Errada. Não se trata de limitação técnica — a porcelana chinesa era justamente procurada pela alta qualidade. A diferença está na cultura de quem modelou, não na dificuldade de copiar.