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Das mais de mil línguas indígenas que eram faladas no território brasileiro há 500 anos, é provável que você conheça apenas palavras soltas, incorporadas ao vocabulário do português brasileiro. Mas proliferam pelo país iniciativas que querem resgatar e valorizar esses idiomas. O Museu da Língua Portuguesa e o Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (USP) inauguraram um centro de documentação para pesquisa, preservação e difusão desses saberes originários.
Segundo o IBGE, há 274 línguas indígenas faladas por pessoas que pertencem a 305 etnias diferentes no Brasil contemporâneo. Contudo, o número pode ser menor porque os critérios que diferem uma nova língua de um dialeto variam conforme a abordagem. Em um artigo publicado em 1993, calculava-se serem 180 à época. Uma professora da USP diz que há hoje 154 línguas indígenas faladas no país. Porém, quando os portugueses chegaram ao território, acredita-se que eram falados de 1 000 a 1 500 idiomas, de quatro grandes troncos linguísticos: aruak, karib, tupi e macro-jê. Metade das línguas indígenas do Brasil contam hoje com menos de 500 falantes, cerca de 40 línguas têm menos de 100 falantes e quase 30 têm menos de 20 falantes.
VEIGA, G. Disponível em: www.dw.com. Acesso em: 2 out. 2025 (adaptado).
Para destacar a importância de línguas indígenas como patrimônio linguístico brasileiro, esse texto
A descreve ações de resgaste de línguas no país.
B traça o percurso histórico de troncos linguísticos.
C incentiva o ensino de línguas e saberes originários no país.
D divulga a criação de espaço dedicado à memória e ao estudo.
E informa sobre a quantidade de línguas extintas ao longo do tempo.
Gabarito oficial
D
Caderno de referência do INEP.
O que a questão cobra
Leitura de texto jornalístico: identificar o fato novo que o texto noticia, separando-o dos dados que o contextualizam.
Resolução passo a passo
- Separe o que é contexto: os números de línguas (274 segundo o IBGE, 154 segundo a professora, 1 000 a 1 500 na chegada dos portugueses) e os quatro troncos linguísticos. Isso dimensiona o problema.
- Localize o fato: “O Museu da Língua Portuguesa e o Museu de Arqueologia e Etnologia da USP inauguraram um centro de documentação”. É a única novidade anunciada.
- Veja para que serve esse centro: “para pesquisa, preservação e difusão desses saberes originários” — exatamente as funções de um espaço de memória e estudo.
- Os números que vêm depois (metade das línguas com menos de 500 falantes, quase 30 com menos de 20) mostram a urgência desse trabalho. O texto divulga a criação do espaço — alternativa D.
Alternativa por alternativa
- A
descreve ações de resgaste de línguas no país.
Errada. O texto menciona que “proliferam pelo país iniciativas”, mas não descreve nenhuma delas em ação. Ele detalha apenas uma: a inauguração do centro de documentação.
- B
traça o percurso histórico de troncos linguísticos.
Errada. Os quatro troncos — aruak, karib, tupi e macro-jê — são citados em uma única linha, sem qualquer percurso histórico. Não há reconstrução da trajetória dessas famílias linguísticas.
- C
incentiva o ensino de línguas e saberes originários no país.
Errada. Nada no texto defende que essas línguas sejam ensinadas nas escolas. O que ele apresenta é um espaço de pesquisa e documentação, voltado à preservação e à difusão.
- D
divulga a criação de espaço dedicado à memória e ao estudo.
Correta. O fato noticiado é a inauguração de um centro de documentação para pesquisa, preservação e difusão das línguas indígenas — um espaço dedicado à memória e ao estudo desse patrimônio.
- E
informa sobre a quantidade de línguas extintas ao longo do tempo.
Errada. O texto informa quantas línguas ainda são faladas e quantos falantes elas têm. Não há levantamento de línguas já extintas, apenas a comparação com a estimativa de 500 anos atrás.