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O uso de terapias celulares no tratamento do diabetes mellitus tem crescido nos últimos anos, com destaque, inclusive, para pesquisas brasileiras. Os critérios de inclusão para participação em uma dessas pesquisas exigem o diagnóstico precoce da doença em jovens com baixa produção de insulina. Os procedimentos terapêuticos envolvem a coleta de células-tronco do próprio paciente, imunossupressão com quimioterapia e transplante das células.
LOJUDICE, F. H.; SOGAYAR, M. C. Células-tronco no tratamento e cura do
diabetes mellitus. Ciência & Saúde Coletiva, n. 1, 2008 (adaptado).
Qual é o risco da utilização dessa nova biotecnologia?
A O conflito ético na utilização de células-tronco.
B A ocorrência de rejeição às novas células transplantadas.
C A resistência dos receptores de insulina à ação hormonal.
D A susceptibilidade maior do paciente a infecções oportunistas.
E A necessidade de testes de compatibilidade genética para o transplante.
Gabarito oficial
D
Caderno de referência do INEP.
O que a questão cobra
Imunologia aplicada: identificar o risco decorrente do protocolo descrito.
Resolução passo a passo
- Liste as três etapas do procedimento: coleta de células-tronco do próprio paciente, imunossupressão com quimioterapia e transplante.
- Repare que a primeira etapa elimina um risco: sendo células do próprio paciente (transplante autólogo), não há rejeição nem necessidade de compatibilidade.
- O risco está na segunda etapa. A imunossupressão existe para “zerar” o sistema imune antes do transplante — e, enquanto ela dura, o paciente fica sem defesas.
- Sem sistema imune funcionante, microrganismos que normalmente seriam controlados provocam doença: são as infecções oportunistas — alternativa D.
Alternativa por alternativa
- A
O conflito ético na utilização de células-tronco.
Errada. A discussão ética envolve sobretudo células-tronco embrionárias. Aqui as células são adultas e do próprio paciente, o que dissolve a objeção — além de ser um problema ético, não um risco clínico.
- B
A ocorrência de rejeição às novas células transplantadas.
Errada. As células são do próprio paciente, portanto geneticamente idênticas às dele. O sistema imune não as reconhece como estranhas e não há rejeição.
- C
A resistência dos receptores de insulina à ação hormonal.
Errada. A resistência dos receptores à insulina caracteriza o diabetes tipo 2. A pesquisa descrita trata de jovens com baixa produção de insulina, e a terapia não cria resistência periférica.
- D
A susceptibilidade maior do paciente a infecções oportunistas.
Correta. A quimioterapia imunossupressora derruba as defesas do paciente para permitir o transplante. Nesse período, agentes normalmente inofensivos podem causar infecções graves — o principal risco do protocolo.
- E
A necessidade de testes de compatibilidade genética para o transplante.
Errada. Testes de compatibilidade são necessários em transplantes entre pessoas diferentes. Como aqui o doador é o próprio paciente, eles são dispensáveis.