Ler o enunciado em texto
O sashimi (filé de peixe cru) de baiacu é uma iguaria muito apreciada no Japão. Entretanto, sua ingestão pode causar a morte por parada respiratória, pois esse peixe contém uma potente neurotoxina termoestável, a tetrodotoxina, que é produzida e armazenada nas gônadas e vísceras. Que ação poderia evitar essa intoxicação?
A Criar os peixes em cativeiro.
B Realizar a pesca com redes.
C Consumir peixes cozidos ou fritos.
D Preparar o peixe em condições adequadas de higiene.
E Manusear o peixe sem provocar o rompimento dos órgãos internos.
Gabarito oficial
E
Caderno de referência do INEP.
O que a questão cobra
Bioquímica aplicada: cruzar duas informações do texto — onde a toxina está e o fato de ela resistir ao calor — para escolher a ação eficaz.
Resolução passo a passo
- Primeira informação decisiva: a toxina é termoestável. Isso elimina qualquer solução que dependa de temperatura — cozinhar, fritar ou assar não a destroem.
- Segunda informação decisiva: ela é “produzida e armazenada nas gônadas e vísceras”, e não no filé que se consome.
- Ou seja, a carne só se contamina se a toxina vazar dos órgãos para o músculo durante a limpeza do peixe.
- A ação eficaz é, portanto, cortar o peixe de modo a não romper esses órgãos — manuseá-lo sem provocar o rompimento dos órgãos internos, alternativa E. É por isso que no Japão só cozinheiros licenciados podem prepará-lo.
Alternativa por alternativa
- A
Criar os peixes em cativeiro.
Errada. Segundo o texto, é o próprio peixe que produz e armazena a toxina. Criá-lo em cativeiro não alteraria essa produção na lógica apresentada pelo enunciado.
- B
Realizar a pesca com redes.
Errada. O método de pesca não muda a composição química do animal. A toxina já está nas gônadas e vísceras antes de o peixe ser capturado, seja com rede, anzol ou arpão.
- C
Consumir peixes cozidos ou fritos.
Errada. É o erro clássico da questão. A toxina é termoestável, e o texto diz isso expressamente: cozinhar ou fritar não a inativa.
- D
Preparar o peixe em condições adequadas de higiene.
Errada. Higiene previne contaminação por microrganismos vindos de fora. Aqui o perigo já está dentro do animal, e nenhuma assepsia o remove.
- E
Manusear o peixe sem provocar o rompimento dos órgãos internos.
Correta. A toxina está confinada às gônadas e vísceras. Retirando esses órgãos intactos, sem rompê-los, o filé não é contaminado — que é exatamente a técnica exigida dos cozinheiros habilitados.