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Pequenino morto Tange o sino, tange, numa voz de choro, Numa voz de choro... tão desconsolado... No caixão dourado, como em berço de ouro, Pequenino, levam-te dormindo... Acorda! Olha que te levam para o mesmo lado De onde o sino tange numa voz de choro... Pequenino, acorda! Que caminho triste, e que viagem! Alas De ciprestes negros a gemer no vento; Tanta boca aberta de famintas valas A pedir que as fartem, a esperar que as encham... Pequenino, acorda! Recupera o alento, Foge da cobiça dessas fundas valas
A descrição da paisagem de um cemitério.
B recusa do eu lírico à irreversibilidade da morte.
C sonoridade dos versos produzida pela pontuação.
D religiosidade evocada como forma de fortalecimento.
E impressão de sonho na construção da estrutura poética.
Gabarito oficial
B
Caderno de referência do INEP.
O que a questão cobra
Literatura — leitura de poema de luto. O comando pede o que intensifica o sentimento, isto é, o gesto que dá ao luto sua força expressiva.
Resolução passo a passo
- A cena é inequivocamente fúnebre: o sino que tange “numa voz de choro”, o “caixão dourado”, o cortejo, os “ciprestes negros a gemer no vento” e as “famintas valas”.
- Mas o eu lírico se recusa a tratar a criança como morta. Ele diz que a levam “dormindo” e ordena: “Acorda!”.
- A ordem se repete e cresce: “Pequenino, acorda!”, “Pequenino, acorda! Recupera o alento, foge da cobiça dessas fundas valas”. Ele pede ao morto que reaja, que fuja.
- Pedir a um morto que acorde é negar que a morte seja definitiva. É essa recusa à irreversibilidade da morte que torna o luto insuportável no poema — alternativa B.
Alternativa por alternativa
- A
descrição da paisagem de um cemitério.
Errada. Os ciprestes e as valas compõem o cenário e ajudam a criar o clima, mas são pano de fundo. O que dá contorno expressivo ao luto é o que o eu lírico faz diante dele: chamar o menino de volta.
- B
recusa do eu lírico à irreversibilidade da morte.
Correta. Chamar o morto de “dormindo” e repetir “acorda!”, pedindo que ele recupere o alento e fuja das valas, é recusar aceitar que a morte não tem volta. Daí a força do luto.
- C
sonoridade dos versos produzida pela pontuação.
Errada. As reticências e as exclamações reforçam o tom entrecortado, mas são efeito, não causa. Sem o gesto de chamar o menino, a mesma pontuação não produziria esse luto.
- D
religiosidade evocada como forma de fortalecimento.
Errada. Não há religiosidade consoladora no fragmento. O sino é fúnebre e as valas são “famintas” e “cobiçosas” — imagens de ameaça, não de amparo espiritual.
- E
impressão de sonho na construção da estrutura poética.
Errada. “Dormindo” é eufemismo para a morte, usado dentro da recusa do eu lírico. Não há construção onírica na estrutura do poema: a cena é concreta, do sino ao cemitério.