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Questão 23 do ENEM 2025 resolvida

Texto sobre a exposição de Adriana Varejão e a obra Azulejaria em carne viva, em que o azulejo se rasga e mostra carne.

Questão 23 do ENEM 2025, aplicação regular, como saiu no caderno de prova
ENEM 2025 · aplicação regular · caderno 1 · azul · questão 23
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TEXTO I

Os trabalhos da exposição Adriana Varejão: suturas, fissuras, ruínas colocam em pauta o exame da história visual, das tradições iconográficas europeias e do fazer artístico ocidental. O corte, a rachadura, o talho e a fissura são elementos de narrativas recorrentes nos trabalhos da artista desde 1992. As produções recentes incluem pinturas tridimensionais de grande escala das séries Ruínas de charque e Línguas.

Disponível em: https://pinacoteca.org.br.

Acesso em: 10 jan. 2025 (adaptado).

TEXTO II VAREJÃO, A. Azulejaria em carne viva. Óleo sobre tela, poliuretano,

madeira e alumínio, 160 × 200 × 25 cm. 1999.

Disponível em: www.adrianavarejao.net. Acesso em: 10 jan. 2025.

A sobreposição da cultura brasileira à arte portuguesa.
B manutenção da representação realista na arte brasileira.
C violências desencadeadas pelo processo colonial brasileiro.
D desigualdades nos incentivos à produção artística brasileira.
E negligência na conservação do patrimônio arquitetônico luso-brasileiro.

Gabarito oficial

C

Caderno de referência do INEP.

O que a questão cobra

Interpretação de obra de arte contemporânea a partir de um texto curatorial: ler os materiais e os gestos da obra como sentido histórico.

Resolução passo a passo

  1. O Texto I dá a chave de leitura: os trabalhos “colocam em pauta o exame da história visual, das tradições iconográficas europeias e do fazer artístico ocidental”.
  2. E nomeia os recursos recorrentes: “o corte, a rachadura, o talho e a fissura”. Todos são palavras de ferimento.
  3. O Texto II mostra o resultado: uma azulejaria — símbolo direto da presença portuguesa no Brasil — rompida, deixando à mostra o que a própria artista chama de carne viva.
  4. Ferir o azulejo português e encontrar carne por baixo é dizer que sob o verniz da colonização há corpo machucado: as violências do processo colonial brasileiro. Alternativa C.

Alternativa por alternativa

  • A

    sobreposição da cultura brasileira à arte portuguesa.

    Errada. Não há uma cultura vencendo a outra. O azulejo português não é substituído pela arte brasileira: ele é rasgado, e o que aparece é ferida — imagem de violência sofrida, não de superação.

  • B

    manutenção da representação realista na arte brasileira.

    Errada. A obra combina óleo sobre tela com poliuretano, madeira e alumínio, e avança 25 cm para fora da parede. Ela rompe com a representação plana e realista em vez de mantê-la.

  • C

    violências desencadeadas pelo processo colonial brasileiro.

    Correta. O azulejo é o signo da colonização portuguesa; cortá-lo para revelar carne viva transforma o corte em metáfora da violência colonial, exatamente como o texto curatorial antecipa ao falar de talho e fissura.

  • D

    desigualdades nos incentivos à produção artística brasileira.

    Errada. Incentivo e financiamento à arte não são tratados em nenhum dos dois textos. O tema é história colonial, não política cultural.

  • E

    negligência na conservação do patrimônio arquitetônico luso-brasileiro.

    Errada. A azulejaria aqui é material simbólico, não patrimônio a ser preservado. A obra não denuncia descuido com prédios antigos: ela usa o azulejo para falar de outra coisa.

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