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Concurso de Bolsas

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias

Questão 22 do ENEM 2025 resolvida

Texto sobre os artistas entalhadores da Ilha do Ferro (AL) e a foto de um bailarino feito de gravetos.

Questão 22 do ENEM 2025, aplicação regular, como saiu no caderno de prova
ENEM 2025 · aplicação regular · caderno 1 · azul · questão 22
Ler o enunciado em texto

TEXTO I

A Ilha do Ferro, situada a 18 km do município de Pão de Açúcar, não é uma ilha, como o nome indica. A história do povoado é semelhante à de inúmeros outros que encontramos às margens do Rio São Francisco, entre Alagoas e Sergipe. O que torna diferente o lugar é sua gente. Hoje, dezenas de artistas populares povoam a Ilha do Ferro, trabalhando principalmente com o entalhe em madeira. Onde pessoas comuns enxergariam apenas troncos e galhos retorcidos, eles vislumbram bancos, bonecos, pássaros, cobras e bailarinas. “Às vezes, você passa por um pedaço de madeira uma vez e não vê nada, passa cinco vezes por ele e não vê nada”, conta um dos artistas, “mas, na décima vez, você consegue enxergar alguma forma nesse pedaço de madeira e transformá-lo em arte”.

Disponível em: www.imaterial.art.br. Acesso em: 5 fev. 2025 (adaptado).

TEXTO II FARIAS, Y. Bailarino entalhado em gravetos de madeira. Artesanato

em madeira, 20 × 13 × 51 cm. Ilha do Ferro (AL).

Disponível em: www.nidelins.com.br. Acesso em: 5 fev. 2025.

A reutilização de materiais para redução do impacto ambiental.
B ressignificação da matéria-prima atribuindo-lhe nova função.
C reprodução em madeira de modelos artísticos canônicos.
D representação de práticas corporais da comunidade.
E replicação seriada para distribuição em larga escala.

Gabarito oficial

B

Caderno de referência do INEP.

O que a questão cobra

Relação entre texto verbal e obra de arte: identificar, nos dois textos, o mesmo procedimento criativo.

Resolução passo a passo

  1. O Texto I diz que o que torna a Ilha do Ferro diferente “é sua gente”: dezenas de artistas populares que trabalham “principalmente com o entalhe em madeira”.
  2. A frase-chave descreve o procedimento: “Onde pessoas comuns enxergariam apenas troncos e galhos retorcidos, eles vislumbram bancos, bonecos, pássaros, cobras e bailarinas”.
  3. A fala do artista detalha o processo: “você passa por um pedaço de madeira uma vez e não vê nada… mas, na décima vez, você consegue enxergar alguma forma nesse pedaço de madeira e transformá-lo em arte”.
  4. O Texto II é a prova disso: gravetos que continuam sendo gravetos viram um bailarino. A mesma matéria ganha outra função — ressignificação da matéria-prima, alternativa B.

Alternativa por alternativa

  • A

    reutilização de materiais para redução do impacto ambiental.

    Errada. Não há uma palavra sobre impacto ambiental, descarte ou sustentabilidade. A madeira é matéria-prima encontrada, e o critério do artista é a forma que ele enxerga nela, não a destinação de um resíduo.

  • B

    ressignificação da matéria-prima atribuindo-lhe nova função.

    Correta. Um galho retorcido continua sendo um galho, mas passa a ser um bailarino. É exatamente atribuir nova função e novo sentido à mesma matéria-prima.

  • C

    reprodução em madeira de modelos artísticos canônicos.

    Errada. Nada indica reprodução de modelos consagrados. O processo descrito é o oposto: a forma é descoberta no pedaço de madeira, e cada peça depende do galho que a origina.

  • D

    representação de práticas corporais da comunidade.

    Errada. O bailarino é uma figura entalhada, não o registro de uma prática corporal da comunidade da Ilha do Ferro. O texto lista pássaros, cobras, bancos e bonecos — não danças locais.

  • E

    replicação seriada para distribuição em larga escala.

    Errada. Replicar em série exige um modelo repetível. Como cada obra nasce da forma particular de um graveto, a produção em larga escala é justamente o que esse trabalho não permite.

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