Ler o enunciado em texto
A responsabilidade perante o todo é o valor principal para o mundo de amanhã, e o valor complementar a ele é um vivo sentido de seu objeto, precisamente o todo, a humanidade como tal. Assim, o despertar, a manutenção e inclusive a fundamentação de um sentimento pela humanidade é uma importantíssima tarefa educativa e intelectual para o mundo do amanhã. O risco para o futuro tem um amplo solo, parte da conduta cotidiana mesma dentro dos Estados do mundo tecnificado, que pode muito bem avançar sem freio para uma paz mundial que talvez contenha o temor imediato pelo próprio presente. Aqueles que reconheceram tal futuro e o risco que este corre têm de converter-se em seus porta-vozes incansáveis — tão incansáveis como essa mesma cotidianidade ameaçadora.
JONAS, H. Técnica, medicina, ética: sobre a prática do princípio de
responsabilidade. São Paulo: Paulus, 2013 (adaptado).
O valor apontado no texto como princípio orientador para gerações futuras constitui-se como um suporte crítico diante do(a)
A postura da elite tradicional.
B empenho de autoridades políticas.
C mobilização de camadas populares.
D comportamento da sociedade contemporânea.
E transformação de mentalidades conservadoras.
Gabarito oficial
D
Caderno de referência do INEP.
O que a questão cobra
Ética contemporânea: identificar o alvo da crítica implícita no princípio de responsabilidade.
Resolução passo a passo
- Localize onde Jonas situa o risco: ele “parte da conduta cotidiana mesma dentro dos Estados do mundo tecnificado”. O perigo não é um desastre pontual.
- Repare no que isso significa: a ameaça vem do que se faz todo dia, sem intenção de causar mal — consumir, produzir, avançar tecnicamente.
- Veja o adjetivo do fecho: “essa mesma cotidianidade ameaçadora”. O hábito comum de uma sociedade inteira é o que compromete o futuro.
- Por isso o antídoto precisa ser um novo valor — a responsabilidade perante o todo. Ele funciona como crítica ao comportamento da sociedade contemporânea — alternativa D.
Alternativa por alternativa
- A
postura da elite tradicional.
Errada. Nenhuma classe é responsabilizada. Jonas fala da conduta cotidiana nos Estados tecnificados, que envolve todos.
- B
empenho de autoridades políticas.
Errada. As autoridades não são singularizadas no texto, que se dirige à educação e à formação de um sentimento pela humanidade.
- C
mobilização de camadas populares.
Errada. Camadas populares não aparecem. O sujeito do risco é a sociedade técnica como um todo.
- D
comportamento da sociedade contemporânea.
Correta. Jonas localiza o risco na conduta cotidiana do mundo tecnificado, que avança “sem freio”. A responsabilidade perante o todo é o valor que serve de crítica a esse modo de vida corrente.
- E
transformação de mentalidades conservadoras.
Errada. Transformar mentalidades é justamente o que Jonas propõe como tarefa educativa. A crítica não recai sobre a transformação, e sim sobre o comportamento que ela deve mudar.