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TEXTO I
POST, F. Paisagem com plantação: o engenho. Óleo sobre tela,
71,5 × 91,5 cm. Boijmans van Beuningen Museum,
Roterdã, Holanda, 1660.
Disponível em: www.boijmans.nl. Acesso em: 18 nov. 2021.
TEXTO II
A continentalização do açúcar e o renovado estímulo à monocultura em Pernambuco permitiu a adaptação do modelo madeirense trazido pelo primeiro donatário. A primeira e talvez melhor iconografia dessa imposição da monocultura da cana-de-açúcar sobre o bioma local foi, contudo, elaborada pelos holandeses, o que dá nota à pintura de paisagem de Frans Post, artista oficial da comitiva de João Maurício de Nassau. CHAVES JR., J. I. As capitanias de Pernambuco e a construção dos territórios
e das jurisdições na América portuguesa (século XVIII).
Niterói: UFF, 2017 (adaptado).
Durante o período colonial, qual foi o impacto do processo apresentado nos textos?
A Substituição das atividades agrícolas pelas manufaturas.
B Estagnação da pecuária bovina em regiões interioranas.
C Retração de mercados coloniais em zonas portuárias.
D Redução da vegetação nativa em áreas litorâneas.
E Poluição dos cursos fluviais pelos nativos.
Gabarito oficial
D
Caderno de referência do INEP.
O que a questão cobra
Brasil colonial: identificar o impacto ambiental da expansão canavieira no litoral.
Resolução passo a passo
- Leia a expressão-chave do Texto II: “a imposição da monocultura da cana-de-açúcar sobre o bioma local”. O texto já nomeia o conflito entre lavoura e natureza.
- Lembre qual era esse bioma: a Mata Atlântica, que cobria toda a faixa litorânea de Pernambuco — justamente onde os engenhos se instalaram.
- Pense no que a monocultura exige: terra limpa para a cana e lenha em enormes quantidades para alimentar as fornalhas dos engenhos dia e noite. Dupla pressão sobre a floresta.
- Nas telas de Frans Post isso é visível: canaviais até o horizonte, com poucas árvores isoladas sobrando. O impacto é a redução da vegetação nativa em áreas litorâneas — alternativa D.
Alternativa por alternativa
- A
Substituição das atividades agrícolas pelas manufaturas.
Errada. A colônia era proibida de manufaturar. A economia açucareira era agrícola e exportadora, e as manufaturas seriam vetadas de forma explícita no século XVIII.
- B
Estagnação da pecuária bovina em regiões interioranas.
Errada. Ocorreu o oposto: a pecuária avançou para o interior justamente porque o litoral foi reservado à cana, dando origem à ocupação do sertão nordestino.
- C
Retração de mercados coloniais em zonas portuárias.
Errada. O açúcar era o principal produto de exportação da colônia. Os portos do litoral canavieiro se fortaleceram com ele.
- D
Redução da vegetação nativa em áreas litorâneas.
Correta. A monocultura da cana ocupou a faixa litorânea da Mata Atlântica e consumiu lenha em larga escala para os engenhos. O resultado, visível nas paisagens de Frans Post, é o recuo da vegetação nativa no litoral.
- E
Poluição dos cursos fluviais pelos nativos.
Errada. O texto não trata de poluição de rios, e atribuir o dano aos “nativos” inverte a lógica do processo: quem impôs a monocultura foi a empresa colonial.