Ler o enunciado em texto
É preciso considerar as divisões na sociedade. As pessoas veem a história de maneira diferente porque têm vidas diferentes. Se seus antepassados chegaram num navio negreiro, você verá a história de um modo diverso do que aqueles cujos parentes vieram em caravelas.
SEREZA, H. C. Para Maxwell, comemoração revela autoconfiança brasileira.
Folha de S. Paulo, 6 mar. 2000. De acordo com o texto, a compreensão dos acontecimentos do passado apoia-se na
A tradição iluminista.
B pesquisa científica.
C filosofia escolástica.
D perspectiva do sujeito.
E difusão do catolicismo.
Gabarito oficial
D
Caderno de referência do INEP.
O que a questão cobra
Teoria da história: reconhecer o papel do ponto de vista na interpretação do passado.
Resolução passo a passo
- Comece pela afirmação inicial: “É preciso considerar as divisões na sociedade”. O texto parte da desigualdade entre grupos.
- Veja a explicação dada: “As pessoas veem a história de maneira diferente porque têm vidas diferentes”. A posição social precede a leitura do passado.
- Entenda o contraste das duas embarcações: o navio negreiro traz quem foi escravizado; a caravela, quem colonizou. Mesmo evento, lugares opostos nele.
- Logo, não há um olhar único sobre o passado: a compreensão se apoia na perspectiva do sujeito — alternativa D.
Alternativa por alternativa
- A
tradição iluminista.
Errada. A tradição iluminista aposta numa razão universal, igual para todos. O texto afirma o contrário: cada grupo lê a história a partir de onde está.
- B
pesquisa científica.
Errada. O texto não discute método científico nem fontes. Ele trata de quem olha, não de como se pesquisa.
- C
filosofia escolástica.
Errada. A escolástica medieval buscava conciliar fé e razão. Nada disso comparece no trecho.
- D
perspectiva do sujeito.
Correta. Como as pessoas têm vidas diferentes — descendentes de escravizados e de colonizadores —, veem o mesmo passado de modos distintos. A compreensão histórica depende do lugar de quem interpreta.
- E
difusão do catolicismo.
Errada. A religião não é mencionada. As caravelas aparecem como símbolo da colonização, não da evangelização.