Ler o enunciado em texto
Ao longo do século XIX, especialmente na corte de D. Pedro II, as mulheres de elite vivenciaram uma transformação radical em seu papel social. Tornar-se uma consumidora, no começo do século XIX, era algo ainda dúbio e malvisto, pois as saídas às ruas para compras eram vigiadas pela sociedade ainda fortemente patriarcal. Já no final daquele século, comprar passou a ser uma das atividades mais importantes para as mulheres de elite, nos principais centros urbanos do país e, em especial, na corte do Rio de Janeiro.
MONTELEONE, J. Moda, consumo e gênero na corte de D. Pedro II (Rio de
Janeiro 1840-1889). Revista de História, n. 178, 2019 (adaptado).
De acordo com o texto, o papel social da mulher foi impactado pelo seguinte processo histórico:
A Expansão da indústria têxtil.
B Valorização das operárias fabris.
C Redução dos trabalhos domésticos.
D Modernização das cidades imperiais.
E Ampliação do protecionismo comercial.
Gabarito oficial
A
Caderno de referência do INEP.
O que a questão cobra
Brasil Império: relacionar a mudança do papel social feminino ao processo histórico que criou a cultura de consumo.
Resolução passo a passo
- Identifique a mudança: a mulher de elite se torna consumidora. Em 1800 sair às ruas para comprar era “dúbio e malvisto”; em 1889, comprar é atividade central.
- Pergunte o que precisa existir para que alguém se torne consumidor: mercadorias em abundância, renovadas o tempo todo, e lojas que as ofereçam.
- É exatamente o que o século XIX produz. A Revolução Industrial faz da indústria têxtil seu carro-chefe: tecidos e roupas baratos e variados inundam o mercado, chegam ao Rio vindos da Inglaterra e da França e criam as grandes casas de modas.
- Com eles vêm a moda como ciclo, os figurinos e as revistas femininas. É a expansão têxtil que abre esse novo papel social à mulher de elite — alternativa A (o artigo citado é, aliás, sobre moda, consumo e gênero).
Alternativa por alternativa
- A
Expansão da indústria têxtil.
Correta. A produção têxtil industrial do século XIX multiplicou tecidos e roupas, alimentou as casas de modas e as revistas de figurinos e instituiu a moda como ciclo de novidades. É esse fluxo de mercadorias que transforma a mulher de elite em consumidora e legitima o ato de ir às lojas.
- B
Valorização das operárias fabris.
Errada. O texto trata das mulheres de elite na corte, não de trabalhadoras. Operárias fabris pertencem a outro grupo social e não aparecem no trecho.
- C
Redução dos trabalhos domésticos.
Errada. Nada indica redução do trabalho doméstico — que, na elite escravista do Império, era executado por pessoas escravizadas e criadas, e não pelas senhoras.
- D
Modernização das cidades imperiais.
Errada. A modernização urbana do Rio é o cenário em que as compras acontecem, mas as reformas mais profundas da capital vieram já na República, com Pereira Passos. O que muda o papel da mulher é a oferta de mercadorias, sobretudo têxteis.
- E
Ampliação do protecionismo comercial.
Errada. O Império praticou o oposto: tarifas baixas e ampla abertura aos produtos ingleses, herança dos tratados de 1810. Foi essa importação que abasteceu as lojas da corte.