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Questão 30 do ENEM 2025 resolvida

Trecho de Pedagogia da autonomia, de Paulo Freire, em que o autor afirma repetidamente sua posição como professor.

Questão 30 do ENEM 2025, aplicação regular, como saiu no caderno de prova
ENEM 2025 · aplicação regular · caderno 1 · azul · questão 30
Ler o enunciado em texto

Não posso ser professor se não percebo cada vez melhor que, por não poder ser neutra, minha prática exige de mim uma definição. Uma tomada de posição. Sou professor a favor da decência contra o despudor, a favor da liberdade contra o autoritarismo, da autoridade contra a licenciosidade, da democracia contra a ditadura de direita ou de esquerda. Sou professor a favor da luta constante contra qualquer forma de discriminação, contra a dominação econômica dos indivíduos ou das classes sociais. Sou professor contra a ordem capitalista vigente que inventou esta aberração: a misé ria na fartura. Sou professor a favor da esperança que me anima apesar de tudo. Sou professor contra o desengano que me consome e imobiliza.

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa.

Rio de Janeiro, São Paulo: Paz e Terra, 2015 (adaptado).

Para reforçar o ponto de vista do autor, a progressão temática nesse texto é marcada pelo(a)

A formulação de hipóteses.
B emprego da primeira pessoa.
C utilização de elementos coesivos.
D repetição de estruturas sintáticas.
E uso de palavras de sentido oposto.

Gabarito oficial

D

Caderno de referência do INEP.

O que a questão cobra

Coesão e progressão textual: identificar o recurso sintático que organiza o avanço do texto.

Resolução passo a passo

  1. Sublinhe os começos de período: “Sou professor a favor da decência…”, “Sou professor a favor da luta…”, “Sou professor contra a ordem capitalista…”, “Sou professor a favor da esperança…”, “Sou professor contra o desengano…”.
  2. A mesma estrutura sintática — sujeito oculto + verbo ser + predicativo + adjunto introduzido por a favor de / contra — se repete período após período. Isso se chama paralelismo.
  3. Veja o que a repetição faz pelo texto: cada retomada acrescenta um novo compromisso à lista. O texto não muda de forma; muda de conteúdo dentro da mesma forma — é essa a progressão temática.
  4. E o efeito retórico vem junto: a estrutura martelada soa como um manifesto, reforçando o ponto de vista do autor — alternativa D.

Alternativa por alternativa

  • A

    formulação de hipóteses.

    Errada. Não há hipótese nenhuma no trecho. Freire não levanta possibilidades a testar: ele afirma posições, em frases declarativas e categóricas.

  • B

    emprego da primeira pessoa.

    Errada. A primeira pessoa está presente, mas é constante do início ao fim — e por isso não faz o texto avançar. Ela marca quem fala; a progressão vem da estrutura que se repete acrescentando novos pares.

  • C

    utilização de elementos coesivos.

    Errada. Praticamente não há conectivos ligando os períodos. É justamente a ausência de elementos coesivos explícitos que torna a repetição da estrutura tão perceptível.

  • D

    repetição de estruturas sintáticas.

    Correta. A repetição de “Sou professor a favor de… contra…” cria um paralelismo sintático. Cada nova ocorrência acrescenta um compromisso à lista, e é esse encadeamento que faz o texto progredir e reforça o ponto de vista do autor.

  • E

    uso de palavras de sentido oposto.

    Errada. As antíteses existem (decência/despudor, liberdade/autoritarismo, democracia/ditadura), mas elas estão dentro de cada período. Sozinhas, não explicam como o texto avança de um período para o outro — o que organiza o avanço é a moldura sintática repetida que as abriga.

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