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Ciências Humanas e suas Tecnologias

Questão 57 do ENEM 2025 resolvida

Relato sobre Virgínia, que ia à Feira de São Cristóvão com o pai, e sobre Dona Didi, costureira em casa.

Questão 57 do ENEM 2025, aplicação regular, como saiu no caderno de prova
ENEM 2025 · aplicação regular · caderno 1 · azul · questão 57
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Dos 10 aos 15 anos de idade, Virgínia adorava acompanhar seu pai, aos domingos, naquela sinestésica Feira de São Cristóvão (RJ), talvez por ser o maior elo que ela experimentava com o mundo exterior à sua casa e, visto assim e agora, tão íntimo e próximo de algo que ela ainda não sabia, mas que seria, no futuro, a sua própria casa: a Paraíba. Dona Didi costurava, sob medida, camisas sociais, bermudas, shorts, vestidos, saias, sempre em casa e rodeada pelos quatro filhos pequenos do casal, desdobrando-se para dar conta de toda a responsabilidade sem trégua que isso demandava.

PASSOS, M. C. P. et al. apud SCARELI, G. A máquina de costura e os fios

da memória. Revista Brasileira de Pesquisa (Auto) Biográfica, n. 18,

maio-ago. 2021 (adaptado).

Os itinerários afetivos e socioespaciais mencionados no texto associam-se à vida dos personagens por apresentarem

A histórias conectadas e recordações do lugar.
B direitos trabalhistas e produção industrial.
C preconceitos linguísticos e dinâmicas territoriais.
D lembranças fabris e discriminação dos operários.
E experiências profissionais e segregação regional.

Gabarito oficial

A

Caderno de referência do INEP.

O que a questão cobra

Geografia cultural e memória: entender como lugares e trajetórias pessoais se entrelaçam em relatos autobiográficos.

Resolução passo a passo

  1. A primeira trajetória é a de Virgínia: ela ia à Feira de São Cristóvão, no Rio, e a feira era “o maior elo que ela experimentava com o mundo exterior à sua casa”.
  2. A feira é nordestina, e o texto liga esse elo a um lugar: algo “tão íntimo e próximo de algo que ela ainda não sabia, mas que seria, no futuro, a sua própria casa: a Paraíba”. Um lugar do passado anuncia um lugar do futuro.
  3. A segunda trajetória é a de Dona Didi, que “costurava, sob medida… sempre em casa e rodeada pelos quatro filhos”. Trabalho, casa e família ocupam o mesmo espaço.
  4. As duas vidas se enlaçam por meio de lugares carregados de memória — a feira, a casa, a Paraíba. São histórias conectadas e recordações do lugar: alternativa A.

Alternativa por alternativa

  • A

    histórias conectadas e recordações do lugar.

    Correta. A feira liga Virgínia à Paraíba que ainda seria sua casa, e a casa liga Dona Didi ao trabalho e aos filhos. Duas histórias amarradas por lugares que guardam memória.

  • B

    direitos trabalhistas e produção industrial.

    Errada. Não há menção a direitos trabalhistas nem a produção industrial. A costura descrita é doméstica, sob medida e feita dentro de casa — o oposto do trabalho fabril regulado.

  • C

    preconceitos linguísticos e dinâmicas territoriais.

    Errada. Preconceito linguístico não aparece em nenhum trecho. O texto não registra nenhuma fala julgada, nem discute sotaque ou variedade.

  • D

    lembranças fabris e discriminação dos operários.

    Errada. Não há fábrica nem operários no relato. Dona Didi trabalha sozinha, em casa, e nada se diz sobre discriminação no trabalho.

  • E

    experiências profissionais e segregação regional.

    Errada. A experiência profissional existe na costura de Dona Didi, mas a segunda parte não se sustenta: o texto não trata de segregação regional, e a Paraíba aparece como destino afetivo, não como lugar de exclusão.

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