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A sistema de crenças, conforme a proposta kantiana de objetividade do conhecimento.
B campo dos absolutos, semelhante ao entendimento medieval dos Universais.
C domínio da lógica, consoante a compreensão aristotélica nos Analíticos.
D paradigma da racionalidade, alinhado ao modelo cartesiano de método.
E âmbito da persuasão, análogo às críticas platônicas aos sofistas.
Gabarito oficial
E
Caderno de referência do INEP.
O que a questão cobra
Filosofia — teoria do conhecimento e história da filosofia. É preciso entender a crítica de Hume e encontrar a tradição filosófica que fez a mesma crítica.
Resolução passo a passo
- Hume descreve um círculo: “a credulidade dos ouvintes aumenta o descaramento do narrador, e o descaramento deste conquista-lhes a credulidade”. Quanto mais o público acredita, mais o orador se atreve.
- Em seguida, ele diz o que a eloquência não é: levada ao extremo, “deixa pouco lugar à razão ou à reflexão”. Ela não convence por argumento.
- E diz o que ela é: dirige-se “inteiramente à imaginação e aos afetos”, cativa os ouvintes e “subjuga-lhes o entendimento”. É pura persuasão, sem compromisso com a verdade.
- Essa é exatamente a acusação que Platão dirigiu aos sofistas: mestres de convencer, não de conhecer, que vencem o debate sem alcançar a verdade. Alternativa E.
Alternativa por alternativa
- A
sistema de crenças, conforme a proposta kantiana de objetividade do conhecimento.
Errada. Kant discute as condições de possibilidade do conhecimento, não a retórica. Além disso, Hume é anterior a Kant, e “sistema de crenças” não corresponde ao que o trecho descreve.
- B
campo dos absolutos, semelhante ao entendimento medieval dos Universais.
Errada. A querela medieval dos Universais discute se conceitos gerais existem realmente ou são apenas nomes. É um problema de ontologia e lógica, sem relação com o poder de convencimento do discurso.
- C
domínio da lógica, consoante a compreensão aristotélica nos Analíticos.
Errada. Nos Analíticos, Aristóteles trata do silogismo e da demonstração — isto é, exatamente do domínio da razão. Hume afirma que a eloquência deixa “pouco lugar à razão”, o que exclui essa aproximação.
- D
paradigma da racionalidade, alinhado ao modelo cartesiano de método.
Errada. O método cartesiano parte da dúvida e busca ideias claras e distintas pela razão. É o oposto de um discurso que se dirige à imaginação e aos afetos para subjugar o entendimento.
- E
âmbito da persuasão, análogo às críticas platônicas aos sofistas.
Correta. Ao restringir a eloquência à persuasão que dispensa a razão, Hume repete a crítica que Platão fazia aos sofistas: eles ensinavam a convencer, e não a conhecer.