Ler o enunciado em texto
¿Dónde está nuestro pan, patrón?
¿Dónde quedó todo ese dinero?
¿Lo tiene oculto bajo el colchón
o lo escondió en otro sucio agujero?
Yo tengo un Tàpies, dice Juan Luis;
yo tengo un Antonio López, dice Jaume.
¿Quién de los dos sabrá decir
cuántos muertos tiene a sus espaldas?
NACHO VEGAS. Disponível em: www.lahiguera.net.
Acesso em: 12 abr. 2024 (fragmento).
Na letra da canção Polvorado, ao apresentar as reflexões do eu poético, o cantor espanhol Nacho Vegas
A demonstra o orgulho dos trabalhadores para com artistas de referência.
B critica a postura dos patrões frente aos direitos dos trabalhadores.
C apresenta propostas para diminuir as desigualdades sociais.
D evidencia o diálogo horizontal entre patrão e trabalhadores.
E questiona a insalubridade do ambiente de trabalho.
Gabarito oficial
B
Caderno de referência do INEP. Na opção inglês o gabarito da questão 1 é D.
O que a questão cobra
Identificação da intenção do autor em texto poético de teor social. O comando pede o que o cantor faz ao apresentar as reflexões do eu poético.
Resolução passo a passo
- A canção abre com uma cobrança direta: “¿Dónde está nuestro pan, patrón? ¿Dónde quedó todo ese dinero?”. O “nuestro pan” é o que cabe ao trabalhador; o interlocutor é o patrão.
- A pergunta seguinte já acusa: o dinheiro estaria escondido “bajo el colchón” ou em “otro sucio agujero”. O adjetivo sucio carrega o julgamento moral.
- A estrofe seguinte muda de voz e coloca os patrões se exibindo: “Yo tengo un Tàpies, dice Juan Luis; yo tengo un Antonio López, dice Jaume” — enquanto falta o pão, sobra coleção de arte.
- O verso final fecha a denúncia: “¿Quién de los dos sabrá decir cuántos muertos tiene a sus espaldas?”. O acúmulo é ligado a vidas perdidas. O conjunto é uma crítica à postura dos patrões diante dos direitos dos trabalhadores — alternativa B.
Alternativa por alternativa
- A
demonstra o orgulho dos trabalhadores para com artistas de referência.
Errada. Quem cita Tàpies e Antonio López são os próprios patrões (Juan Luis e Jaume), exibindo o que possuem. Não há trabalhador orgulhoso de artista nenhum — a menção às obras serve para expor o contraste.
- B
critica a postura dos patrões frente aos direitos dos trabalhadores.
Correta. O texto cobra o que é devido ("nuestro pan"), acusa o desvio ("sucio agujero"), expõe a ostentação e liga a riqueza a mortes. Tudo converge para a crítica à postura patronal.
- C
apresenta propostas para diminuir as desigualdades sociais.
Errada. A canção é feita de perguntas, não de propostas. Em nenhum verso se sugere uma medida para reduzir a desigualdade — ela é denunciada, não resolvida.
- D
evidencia o diálogo horizontal entre patrão e trabalhadores.
Errada. O diálogo é vertical e unilateral: o eu poético pergunta e o patrão não responde. As únicas falas atribuídas aos patrões são de ostentação, dirigidas entre si.
- E
questiona a insalubridade do ambiente de trabalho.
Errada. "Sucio agujero" é metáfora do esconderijo do dinheiro, não descrição do local de trabalho. A canção não trata de condições de salubridade.