Ler o enunciado em texto
O modo de sentar e andar, as formas de colocar cadernos e canetas, pés e mãos acabariam por produzir um corpo escolarizado, distinguindo o menino da menina que passara pelos bancos escolares. As escolas femininas dedicavam intensas e repetidas horas ao treino das habilidades manuais de suas alunas, produzindo jovens “prendadas”, capazes dos mais delicados e complexos trabalhos de agulha ou de pintura.
LOURO, G. L. Gênero, sexualidade e educação.
Petrópolis: Vozes, 1997 (adaptado).
O texto reforça que a instituição escolar reproduzia um padrão social fundamentado em
A papéis binários.
B aptidões físicas.
C critério meritocrático.
D formação acadêmica.
E comportamentos inatos.
Gabarito oficial
A
Caderno de referência do INEP.
O que a questão cobra
Sociologia da educação: identificar o padrão social reproduzido pela escola.
Resolução passo a passo
- Veja o que a escola produzia, segundo a autora: “um corpo escolarizado, distinguindo o menino da menina”. A separação em duas categorias é o ponto de partida.
- Note em que nível isso operava: não no discurso, mas no corpo — modo de sentar, de andar, de pôr pés e mãos. A diferença era inscrita no gesto.
- Some o conteúdo reservado a cada lado: às meninas, “intensas e repetidas horas” de agulha e pintura, para formar jovens “prendadas”.
- Dois destinos fixos, um para cada sexo, ensinados desde a postura: é a reprodução de papéis binários — alternativa A.
Alternativa por alternativa
- A
papéis binários.
Correta. A escola moldava o corpo e o currículo em duas categorias fixas, menino e menina, com atividades reservadas a cada uma. É a definição de papéis de gênero binários socialmente construídos.
- B
aptidões físicas.
Errada. Nada é atribuído à capacidade física. As habilidades manuais das meninas são resultado de “intensas e repetidas horas” de treino, não de aptidão.
- C
critério meritocrático.
Errada. Não há competição nem avaliação por desempenho. A divisão é prévia e independe do mérito de cada aluno.
- D
formação acadêmica.
Errada. O texto trata do corpo e das prendas manuais, e não do conteúdo intelectual do currículo.
- E
comportamentos inatos.
Errada. É exatamente o que a autora refuta: o comportamento é produzido pela escola, não inato. Por isso ela fala em “produzir um corpo escolarizado”.