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Memória e história não são sinônimos. A memória é a vida, protagonizada pelas pessoas, em grupo, e está em evolução permanente. Aberta para a dialética da lembrança e do esquecimento, a memória não tem consciência de sua sucessiva deformação e, vulnerável a todas as utilizações e manipulações, é suscetível a longas latências e repentinas revitalizações. A história é a reconstrução sempre problemática e incompleta do que já passou. A memória é um fenômeno sempre atual, uma ligação vivida no eterno presente, ao passo que a história é uma representação do passado.
LISBOA, K. M. Comemorações, história, memória e identidade.
In: RODRIGUES, J. (Org.). A Universidade Federal de São Paulo
aos 75 anos: ensaios sobre história e memória.
São Paulo: Unifesp, 2008 (adaptado).
De acordo com o texto, a escrita da história exige a prática de
A ratificar os registros documentais.
B detalhar as verdades antigas.
C reforçar o vestígio recordado.
D afirmar o acontecimento descrito.
E recompor o tempo experimentado.
Gabarito oficial
E
Caderno de referência do INEP.
O que a questão cobra
Teoria da história: caracterizar o trabalho do historiador conforme a oposição do texto.
Resolução passo a passo
- Separe as duas definições. A memória é “a vida… em evolução permanente”, “uma ligação vivida no eterno presente”, sujeita a deformações e manipulações.
- A história, por sua vez, é “a reconstrução sempre problemática e incompleta do que já passou” e “uma representação do passado”.
- Fique com os dois verbos: reconstruir e representar. Nenhum deles é copiar ou confirmar — ambos supõem montar de novo, a partir de fora, algo que não está mais ali.
- É exatamente isso que significa recompor o tempo experimentado: refazer, sempre de forma incompleta, a experiência vivida por outros. Alternativa E.
Alternativa por alternativa
- A
ratificar os registros documentais.
Errada. Ratificar é confirmar o que o documento diz. Mas o texto insiste que a reconstrução histórica é “sempre problemática”, o que exige crítica das fontes, e não homologação.
- B
detalhar as verdades antigas.
Errada. “Verdades antigas” supõe um passado já dado e verdadeiro, à espera de detalhamento. O texto diz que a história é representação — e incompleta.
- C
reforçar o vestígio recordado.
Errada. Reforçar o vestígio recordado é operação da memória, não da história. E a memória, segundo o texto, é vulnerável a manipulações.
- D
afirmar o acontecimento descrito.
Errada. Afirmar o acontecimento pressupõe certeza sobre ele. A história descrita aqui é justamente o oposto: problemática e lacunar.
- E
recompor o tempo experimentado.
Correta. O texto define a história como reconstrução e representação do que já passou, sempre problemática e incompleta. Escrever história é recompor uma experiência vivida que não pode ser acessada diretamente.