FUVEST 2027 - Q2

O jardim atuou como agente de dissolução da subjetividade imperial, evidenciando a decadência física e a obsolescência histórica de Celestino.

As plantas eram alegoria das vítimas do tráfico, cultivadas como monumento à memória dos que pereceram.

O jardim era extensão da lógica colonial de posse, reafirmando a autoridade inabalável de Celestino.

O jardim devolveria a Celestino o cuidado dispensado, como perdão pela violência praticada.

Ao ser visto pelas plantas, Celestino tornou-se "parte do jardim", perdendo o privilégio de ser o único observador e controlador do mundo — característica central da mentalidade colonial.

FUVEST 2027 - Simulado 2a ed

FUVEST

Simulado 2a edicao (S1)

Leia o excerto de "A visão das plantas", de Djaimilia Pereira de Almeida: "Comovia-se ao observar o arranjo das pétalas picotadas — por um anjo? — dos cravos. [...] As mãos e as pernas ganhariam raiz até as suas plantas o cobrirem e dominarem o seu corpo, abraçando-o como a um pai. Ter-se-ia tornado domínio delas, num caixão a céu aberto. Mas não foi assim que aconteceu." A narrativa opera uma inversão de perspectiva ao situar Celestino, um antigo traficante de escravizados, em um jardim que "observa" a sua própria decadência. Considerando o excerto, depreende-se:

O enunciado dá a chave: a obra promove uma inversão de perspectiva. Quem normalmente observa e domina — o colonizador Celestino — passa a ser observado pelas plantas, perdendo a posição de sujeito único que tudo controla, típica da mentalidade colonial. Por isso a alternativa E. A alternativa A é a pegadinha: fala em decadência, mas foca no fim de Celestino, não na inversão do olhar, que é o eixo pedido. C inverte o sentido do texto; B e D forçam leituras de memória e perdão que o excerto não sustenta.