Há uma razão prática para o candidato de Medicina conhecer os temas antigos de redação: eles revelam o tipo de problema que o ENEM costuma propor e, com isso, dizem que repertório vale a pena construir ao longo do ano. A lista abaixo traz os temas oficiais de 2015 a 2025.
Temas de 2015 a 2025
| Ano | Tema |
|---|---|
| 2025 | Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira |
| 2024 | Desafios para a valorização da herança africana no Brasil |
| 2023 | Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil |
| 2022 | Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil |
| 2021 | Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil |
| 2020 | O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira |
| 2019 | Democratização do acesso ao cinema no Brasil |
| 2018 | Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet |
| 2017 | Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil |
| 2016 | Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil |
| 2015 | A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira |
O padrão que se repete
- Recorte brasileiro: quase todos os enunciados terminam com "no Brasil" ou "na sociedade brasileira". O texto precisa discutir a realidade do país, e não o problema em abstrato.
- Grupos pouco visíveis: surdos, povos tradicionais, pessoas sem registro civil, mulheres no trabalho de cuidado, idosos. O exame costuma pedir reflexão sobre quem fica à margem.
- A palavra "desafios": apareceu em 2017, 2022, 2023 e 2024. Esse formato pede obstáculos concretos e soluções que respondam a eles.
- Cidadania e direitos: acesso à cultura, à educação, ao registro civil, ao respeito religioso. Boa parte dos temas trata de direitos que ainda não alcançam toda a população.
Um detalhe que interessa a quem quer Medicina
Olhe de novo para 2025, 2023 e 2020. Envelhecimento da população, trabalho de cuidado e estigma associado às doenças mentais. São três enunciados em seis anos cujo vocabulário pertence ao campo da saúde e do cuidado, discutido pelo lado social.
Isso não significa que o próximo tema virá dali, e não existe forma de prever enunciado. Significa outra coisa, mais útil: o repertório que você constrói estudando saúde coletiva, acesso, desigualdade e políticas públicas costuma servir em mais de um tema possível. Quem lê sobre isso por interesse de carreira já está construindo repertório de redação sem perceber.
Vale notar também que, em nenhum desses casos, o que se pedia era conhecimento técnico. Em 2020 o enunciado tratava de estigma, não de diagnóstico. A redação continua sendo uma prova de argumentação sobre problema social, e escrever como quem responde a uma prova de Biologia é um caminho conhecido para perder ponto na competência 2.
O que a redação exige
O texto é dissertativo-argumentativo e tem até 30 linhas. Precisa apresentar uma tese, argumentos que a sustentem e uma proposta de intervenção. A correção avalia cinco competências, cada uma de 0 a 200 pontos. Dois corretores leem cada texto e a nota final é a média das duas avaliações.
Quanto a redação pesa em Medicina
Muita gente trata a redação como quinta nota, atrás de Ciências da Natureza na ordem de prioridade. Os pesos praticados desmentem isso. Nas 88 ofertas de Medicina com ampla concorrência do Sisu 2025, a Redação teve peso médio de 2,01, atrás apenas de Ciências da Natureza, com 2,34, e à frente de Linguagens, Matemática e Ciências Humanas. Em parte das ofertas, o peso da redação chega a 5,0.
Uma única nota, produzida em pouco mais de uma hora de prova, pesa em média mais do que Matemática e Ciências Humanas nas ofertas de Medicina. E é a única das cinco que você pode treinar escrevendo, toda semana, com retorno individual.
Some a isso o fato de que várias universidades exigem nota mínima na redação para sequer considerar a inscrição. Para dimensionar o terreno em que essa disputa acontece, vale acompanhar as notas de corte de Medicina no Sisu: em 2025 elas foram de 769,15 a 856,44, com mediana de 792,76. Nessa faixa, cem pontos de redação decidem posição na fila.
Como usar a lista no estudo
- Escreva sobre temas antigos para treinar a estrutura e compare depois com redações nota mil já publicadas.
- Organize o repertório em eixos e alimente cada um deles: educação, saúde, cultura, tecnologia, meio ambiente, trabalho e direitos humanos.
- Para cada eixo, guarde dados, leis e referências que você consiga citar com segurança, sem depender de memória vaga.
- Treine a proposta de intervenção deixando explícito o que deve ser feito, quem executa e de que forma.
O ritmo que funciona é simples de descrever e difícil de manter: uma redação por semana até a prova, sempre com correção por competência. Leia notícias sobre temas sociais brasileiros e anote exemplos que sirvam em mais de um enunciado, porque repertório específico demais costuma não caber. Nos últimos dias, em vez de escrever mais, revise as redações já corrigidas e concentre-se nos erros que se repetem.


