Pular para o conteúdo
Concurso de Bolsas

Voltar

Como estudar

As cinco competências da redação do ENEM para quem quer Medicina

5 de mai. de 2026

As cinco competências da redação do ENEM para quem quer Medicina

Quem se prepara para Medicina costuma empurrar a redação para o fim da fila. O motivo tem uma lógica aparente: o volume de conteúdo é o maior entre todos os candidatos, Biologia e Química pedem leitura quase diária, e um texto parece sempre algo que cabe na semana seguinte. A conta, porém, não fecha. A redação é a única parte da prova cujos critérios de correção são publicados. Em todo o resto você deduz o que a banca procura; aqui a grade está escrita.

Antes de olhar competência por competência, vale saber quanto isso vale na sua lista de universidades. Nas 88 ofertas de Medicina do Sisu 2025 com ampla concorrência, distribuídas por 65 universidades, a redação teve peso médio de 2,01, variando de 1,0 a 5,0 conforme a instituição. Em 52 dessas 88 ofertas os pesos não são iguais entre as áreas, e existe oferta em que a redação pesa mais do que qualquer área de conhecimento. O peso de cada uma pode ser conferido nas notas de corte de Medicina antes de você decidir quanto tempo semanal dar a ela.

A estrutura da correção é fixa. São cinco competências, cada uma valendo de 0 a 200 pontos, em faixas de 40 em 40. A nota final é a soma, de 0 a 1000. Como a pontuação anda de 40 em 40, não existe ganho de dois ou três pontos: ou você sobe um degrau inteiro em uma competência, ou continua onde estava. É por isso que trabalhar a competência mais fraca rende mais do que lapidar a mais forte.

A grade, competência por competência

Competência 1 — domínio da norma culta

Avalia a escrita formal: ortografia, concordância, regência, pontuação, colocação. Dificilmente é a competência que mais assusta, e é quase sempre a que mais sangra ponto por desatenção. O que trava são erros pequenos cometidos muitas vezes — vírgula entre sujeito e verbo, crase fora de lugar, concordância perdida em período longo. A saída não passa por revisar a gramática inteira. Passa por identificar os seus três erros recorrentes e caçar só esses três na releitura.

Competência 2 — compreender o tema e aplicar repertório

Avalia se você entendeu a proposta, se não fugiu do tema e se usou conhecimento de outras áreas de forma produtiva. O repertório precisa sustentar o argumento, não enfeitá-lo. O que trava é a citação decorativa: um autor que aparece na introdução e nunca mais volta. Existe um teste rápido — se você não consegue explicar, em uma frase, por que aquele repertório explica o problema do tema, ele não está sustentando nada. Tangenciar custa caro do mesmo jeito: tratar do assunto amplo quando a proposta delimitou um recorte específico é uma das formas mais caras de perder ponto aqui.

Quem estuda para Medicina chega a essa competência com um repertório que nem todo candidato tem à mão: saúde pública, acesso a tratamento, vacinação, ética em pesquisa, dados de epidemia. Isso ajuda quando o tema pede e atrapalha quando é forçado para dentro do texto. O critério continua sendo o mesmo: o repertório entra se explica o problema, não porque você o conhece bem.

Competência 3 — seleção e organização dos argumentos

Avalia o projeto de texto: se existe uma tese clara, se os parágrafos a defendem e se o texto progride em vez de repetir. O que trava é o texto que parece completo mas anda em círculos. Dois parágrafos de desenvolvimento dizendo a mesma coisa com outras palavras pontuam como um só. Antes de começar a escrever, escreva a tese em uma frase e cada argumento em uma frase. Se as duas frases de argumento puderem ser resumidas por uma terceira, você tem um argumento, não dois.

Competência 4 — coesão

Avalia o encadeamento: conectivos, referências, articulação entre os parágrafos e dentro de cada um. É a mais mecânica das cinco e, por isso, a mais treinável em pouco tempo. O que trava é o conectivo escolhido pelo som e não pelo sentido — um "portanto" onde não há conclusão, um "todavia" onde não há oposição. Repetir "além disso" na abertura de todo parágrafo também pesa. Ter um pequeno repertório de conectivos organizado por função, separando adição, oposição, causa e conclusão, e usar a função certa em cada passagem resolve a maior parte do problema.

Competência 5 — proposta de intervenção

Avalia a solução apresentada para o problema discutido, com respeito aos direitos humanos. É a competência com mais zeros e mais notas baixas, e também a mais fácil de blindar, porque tem uma estrutura conhecida: agente, ação, meio, finalidade e detalhamento. O que trava é a proposta genérica. Escrever que o governo deve investir em saúde não diz quem faz, de que maneira, por qual meio e para quê. A versão que pontua nomeia o agente, descreve a ação, indica o meio pelo qual ela acontece, aponta a finalidade e detalha um desses elementos. É aqui também que mora o risco de ferir os direitos humanos, o que zera a competência e, dependendo do caso, afeta o texto inteiro.

Terminado o texto, dê a si mesmo uma nota de 0 a 200 em cada competência e escreva a justificativa. A nota quase nunca é baixa em geral: ela é baixa em uma ou duas competências específicas, e são elas que você tem de treinar.

Como transformar a grade em treino

A diferença entre quem melhora e quem escreve muito sem sair do lugar está no que acontece depois do ponto final. Corrigir pela impressão geral não produz informação: o texto sai "bom" ou "fraco" e você volta a escrever o mesmo texto na semana seguinte. Corrigir pela grade produz um diagnóstico com endereço.

  • Ataque primeiro a competência mais fraca. Subir de 80 para 160 na competência 5 vale mais do que subir de 160 para 180 na competência 1, e exige menos trabalho.
  • Reescreva em vez de só escrever mais. Pegar um texto seu já corrigido e refazer o parágrafo fraco ensina mais do que produzir outro texto do zero.
  • Uma redação por semana, corrigida, vence três por semana sem correção. O ganho está no retorno, não no volume.
  • Guarde as correções. Se o mesmo apontamento aparece em três textos seguidos, ele não é descuido: é um hábito de escrita que precisa de treino específico.

Uma redação por semana cabe numa rotina pesada de Medicina quando é tratada como tarefa fixa e não como sobra de tempo. O raciocínio vale para qualquer bloco que precise ser protegido dentro da semana, assunto de cronograma que sobrevive à semana.

A parte mais previsível da prova

Em uma disputa em que a diferença entre entrar e ficar de fora aparece em décimos, faz pouco sentido deixar de lado justamente a parte cujos critérios foram divulgados. Nenhuma outra seção da prova entrega a grade de correção antes. A redação entrega, e ainda concentra até 1000 pontos em um único texto. Ler a grade, escrever olhando para ela e corrigir por ela é o caminho mais curto que existe para a nota subir.

Dê agora o primeiro passo rumo à aprovação em Medicina Pública

Matricule-se já!
Aluna do Hplus Med aprovada em Medicina Concurso de Bolsas Provas presenciais
nas 7 unidades
Concurso de Bolsas